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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Poesias Nada Convencionais - Queria dizer

[originalmente escrita em  22:12 22/9/2007]


QUERIA DIZER
Então era isso que você queria me dizer?
Era realmente isso que  você  sempre desejou dizer, mas não podia?
Era tudo que eu não queria escutar, mas que  você  precisava falar?
Era tudo que nós poderíamos ter feito?

Eu aguento, é fácil pra mim, eu me aguento por mais um bom tempo.
Ficar distante, ficar sozinha, ficar longe, ficar.
E não ficar, não pertencer a ninguém a não ser para alguém que não está presente.
É querer aparar as lágrimas, querer abraçar o invisível, desejar boa noite para o que nunca existiu (Mas possivelmente algum dia existirá)
Então era isso que  você  queria me dizer?

E eu não percebi, ou não quis perceber, não quis ver
Quis mostrar meu rosto para alguém dar outro tapa
Quis pisar no fogo descalça
Quis ser eu mesma
E não fui ninguém, um ninguém no mundo do ser.
Era isso que  você  queria me dizer.

E eu só percebi agora, só sinto agora, só me pré-testo agora (ou um pretexto pra ser feliz)
Não adiantava suas palavras (E  você  deve estar com raiva disso) eu precisava sentir
E era isso mesmo que  você  estava tentando me dizer
E eu não ouvi por paixão ou por idiotice
Eu opto pela primeira, mas a segunda também é sedutora

Era isso mesmo não é?
Era o que  você  queria me dizer.
Não dá para ficar longe demais, não dá para se sentir mais perdida do que já está
Não queremos compartilhar tristezas e solidão
Não queremos passar nossos dias sonhando com o telefone
A voz no microfone
A doce voz nos meus sonhos
Ninguém quer isso.
E  você  queria me dizer isso.

E enquanto os sintomas chegam, as dores sufocam
As lágrimas sufocam e a garganta treme em desespero
Quando tudo mais que se planeja sai errado
Que tudo que  você  não planeja aparece
Que tudo que se parta e vá logo embora para dar lugar a outro lugar
E enquanto eu fico em silêncio
Era o que  você  queria dizer realmente

E eu não percebi, eu não vi, eu não senti
Sinto agora e muito
Sinto muito e com toda delicadeza
Sinto e tenho vergonha de sentir
Sinto e faço o possível para honrar meu sofrimento
Eu não choro como antes
Não acho que tudo está perdido antes do tempo
Não pessimizo o que já deu errado
Nâo prevejo o errado no meu futuro
Não nego a minha negação de ser um ninguém
Eu sou.
E eu escrevo que sou.

Era exatamente o que  você  queria dizer
E eu entendo porquê só agora
O desespero não é tão ruim quanto dizem
As lágrimas não são amargas como todos saboream
Os apertos não são todo o tempo
(Temos dias ruins e bons)
As palavras de carinho são como o vento
Assoprando no meu rosto cansado e me mostrando onde devo ir
Onde eu deveria estar e onde eu vou estar

Prever algo premeditado é fácil, quero ver descobrir o que a gente sente
Um dia estou sozinha e infeliz, no outro o mundo me preenche
Rimando inconscientemente num final de noite
A perda de estabilidade pela simples sinfonia
De acordes de violão que me acalmam
Acalmam mais que os remédios da vida
Melhores que qualquer bálsamo da juventude
Melhor que cházinho preto e cama quente
Acalma.
A cama.
E cala.

Então era isso que  você  queria me dizer?
Disse e sumiu.
Sumiu a sensação de esperança no meu peito
Mas a do amor próximo continua mesmo sendo fora do meu alcance
Acalma
A cama.
Me cala.