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domingo, 23 de outubro de 2016

epifania (in)docentes


Na vida tem uns cliques. 

É aquele momento em que você consegue ver uma parte do plano geral que antes o seu olhar não tava preparado pra enxergar bem. Pode ser durante o chuveiro, olhando pela janela do busão voltando pra casa, ou conversando com alguém que você gosta muito. 

Os meus cliques acontecem sempre em horas em que não posso fazer a dancinha da vitória assim do nada. Dentro da minha cabeça eu tou dando duplo twist carpado.


Quando criança tive a brilhante ideia de perturbar meus colegas após terminar de fazer meus deveres, não porque a pentelhice me segue desde o berço, mas porque eu sabia que poderia ajudar de alguma forma. E se era pra sentar na outra carteira e ficar tagarelando sobre o porquê de 2 + 2 = 4, ou porque a escolha de giz de cera ao invés de lápis colorido, então que fosse.

Essa mania feia de atazanar me rendeu um adiantamento de idade escolar, yey 2 anos na frente de todos! Me formaria mais cedo! Mas me f*** lindamente no social. Ser a pessoa mais nova desde a antiga 2a série até o terceirão me rendeu mais lições de silenciamento e contenção do que de compartilhamento.

A epifania da PUC na Letras foi de conectar o atazanamento da infância com algo que poderia efetivamente trazer algum benefício pra mim e pra quem estivesse disposto a entender que a minha maior paixão nesse mundo era de compartilhar coisas. Qualquer coisa, informação de preferência, saberes, experiências, histórias, o que fosse.

Não levei a epifania adiante porque o horror (oh o horror!) de ser contida num espaço confinado extremamente tóxico de uma sala de aula poderia me levar a ser aquilo que eu não queria ser: os professores cansados, maltratados e ferrados que preferiam arruinar com a vida estudantil de seus alunos com a ladainha perversa do pessimismo-fatalista.

A epifania da Biblio UFSC foi estar num show do mestre Tom Zé e ao ouvir aquele serumaninho saltitante de quase 80 declamando rimas e rimando declamações pelo palco me fez pensar no atazanamento do jardim de infância. "Eu tô te explicando pra te confundir, tô te confundindo pra te esclarecer, tô iluminado pra poder cegar e ficando cego pra poder guiar" era o que ele cantava e nessa hora sei que aquela criança insatisfeita resolveu dar banana pro medo da caixinha educacional sistemática. Essa po*** de caixa nem existe!! Gimme moar!!



Resolvi então me empenhar em tudo quanto era jeito a ser a criança que absorve conhecimento, compartilha esse trem e atazana quem estiver disposto a ser incomodado. Daqui pra frente é docência na cuca e fazer o melhor pra levantar mais questionamentos do que dar respostas. Isso o sistema dá sempre, isso pra que servem as desculpas esfarrapadas.

A Biblio tava me castrando nisso, a técnica, a burocracia, a compreensão fechada de sistema produtivo, a contenção de informações, o silenciamento de vozes estava acabando comigo. Está acabando comigo nesse exato momento.

E aí o Museu me deu outra epifania (eu já tava convencide que não ia mais acontecer, que a inércia já tava instalada), de estar no meio da exposição de uma figura emblemática aqui da Ilha, com mais de 30 pessoas de diversas idades, cores, credos, vidas, sentadas ao chão, ouvindo atentamente sobre Franklin Cascaes. Nesse exato instante entre a mão levantada para uma pergunta e a curiosidade infantil de querer saber como nossos ancestrais faziam xixi (Ah as perguntas da galerinha que fazem meu dia!) veio a constatação: todos os caminhos que trilhei foram pra parar ali, nesse local de conhecimento, pesquisa e cidadania que quase ninguém aproveita como deveria.

Não é pra eu estar atrás de um balcão de biblioteca, é pra estar onde for necessário estar para construir conhecimento com as pessoas, qualquer pessoa, em qualquer lugar. Mediador de informações? Produtor científico? Educador? Organizador de Informação? Esses rótulos que pregam nas nossas costas e imprimem nos nossos diplomas não está sendo o suficiente, foi mal.

A Biblioteconomia é minha paixão, mas o atazanar pessoas para que elas questionem o mundo ao redor é mais forte. O que a Academia não está conscientizando seus futuros docentes/bibliotecários esses lugares inusitados de troca de informações estão. Demorou 25 anos pra criança pentelha e sem noção perceber isso, que não há lugar para se fazer o meu trabalho.

E foi no Museu que tive o último clique. E é isso. Pelo jeito é aqui que vou ficar por um bom tempo, seja na experiência de estágio, na acadêmica ao pesquisar sobre, ou quem sabe futuramente profissionalmente...?












quinta-feira, 19 de maio de 2016

algo que não acredito mais

Tá, sério, acabei esquecendo de finalizar o desafio de escrever as 20 coisas para se escrever quando estiver em um bloqueio de escrita e vi que deixei o assunto delicado pra último e lá nos fundilhos da negação existencial.

Write about something you no longer believe.
Escreve sobre algo que você não acredita mais.



É disso que esse último tópico fala : algo que não acredito/tenho fé mais é no Amor Romântico

Aquele maldito Eros que confunde minha Sophia e a adorável Psiquê. Esse vendido já atingiu o limite de dados usados comigo, logo decidi entregar as funções corporais aos seus devidos lugares e tratar de cuidar da minha cabeça (falha, mas única confiável nessa altura da minha vida de escriba) para tornar o mundo em que estou inserida um lugar mais legalzinho e suportável de sobreviver. 

Que seja por trollando o curso, fazendo parte do movimento estudantil, rolando no chão de casa com gatos ou conversando com pessoas queridas que não me sufocam emocionalmente, assim vou deixando a Razão tomar mais conta que a Emoção.
(mas se falar do meu fandom, vai ter ranting emotivo até dizer chega - isso meu miocárdio não endurece) 

Como uma vez certa criatura élfica disfarçada de cantora inglesa cantou: "se eu não acredito no Amor, nada é o suficiente para mim",  e não é, não está sendo, dificilmente será algum dia. A cobrança pelo perfeito aqui é constante, mas calibrável. Não vou deixar o monstro da ansiedade comer meu fígado (só um certo pássaro pode fazer isso e ele ultimamente tá digerindo outro órgão invisível meu), até porque não há mais razão para tal. 

Tou pagando minhas contas, estudando o que amo, trabalhando onde queria estar - pelas diretrizes curriculares do capitalismo neoliberal, tou nos padrões de aceitação como cidadã de bem. Tá certo que não tá bom, mas gente a coisa já foi muito pior. 

A crença pelo Amor (seja lá qual instância) se tornou sem sentido quando se tranca suas emoções a sete chaves e joga o molho fora. Realmente não me é mais necessário entrar nesse ciclo novamente.  Apesar que parece não estar mais apta (ou de saco cheio das firula por N motivos) não me livra de certas manifestações. 

Ainda sinto desejo por pessoas. Ainda tenho devaneios impróprios. Ainda sou humana, mas não quer dizer que isso signifique muito no grande esquemas das coisas. O amor incondicional se tornou presente na minha vida através da admiração que nutro por pessoas que me inspiram, o moleque teimoso e sua mãe impiedosa? Nopes, passam longe porque minha devoção foi para outra entidade (Hello? Patrão Morfeu, câmbio?)

Ainda há Amor, mas ele se tornou nessa pasta de "coisas que não preciso mais me preocupar". E véi de Bowie: se o trem tá te prejudicando com emoções negativas de si mesma e do resto do mundo, desapega. Apenas. Algum dia o mecanismo se ajeita, mas não precisa vir do s2 - aquele idealizado tão fervorosamente outrora. Já vi isso acontecer na família e creio que é satisfatório viver sabendo  que não se seguiu a mesma regra de sempre. 

Talvez seja isso, você nasce, cresce, percebe que tem emoções que mais te destroem do que trazem algo de relevante e decide seguir com um plano alternativo de felicidade.

Podia ser pior.
Eu podia ser fanática religiosa.