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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Isso sim é um desabafo.

Acho um barato quando tentam deslegitimar a forma como nos expressamos racionalmente chamando de "desabafo". Porque há toda uma argumentação envolvida, uma organização de ideias a ser colocada, todo um esforço babaca de colocar pingos nos "is", citar nomes e datas, para mesmo assim "isso foi um desabafo".

Não quando você está tratando de algo sério na continuidade saudável do seu curso, da sua carreira, da sua vida. Não é desabafo justificar todo um processo em etapas de um problema que poderia ser resolvido com (pasmem!) empatia e alteridade. Um desabafo tem um teor mais emocional e apelativo para a 1ª pessoa, não um texto de quase 1 página explicando detalhadamente como a burocracia trabalhista de certos lugares podem prejudicar o andamento de um relacionamento bacana entre uma instituição de renome com outra instituição universitária de renome.

Eu não chamaria de "desabafo" usar o bendito português cânone - aquele mesmo que odiamos tão Machadiano em suas entrelinhas e que 90% da população não usa diariamente - redigindo um email enorme para argumentar o quanto o sistema é nocivo com os alunos e que oportunidades estão sendo perdidas por conta de burocracia cega.

A universidade não ensina a gente a dialogar, argumentar, planejar falas, redigir textos, expressar nossas ideias da forma mais metodológica científica possível para as instâncias maiores aceitarem. O cientista turco de "O pequeno Príncipe" tinha uma equação incrível de uma nova descoberta sobre o asteróide que descobriu, não foi aceito por se vestir como turco e não no padrão europeu p´re-estabelecido.

Uma pessoa - no caso estagiário, graduando, identificada pelo lado de fora como "mulher" (sim, rola um sexismo na questão ideológica da palavra "desabafo") - não tem a capacidade intelectual argumentativa de defender seus direitos como estudante, trabalhador e cidadão com um texto grande, mesmo com os pormenores citados, é um "desabafo".

É bacana brincar com isso, pois faz parte da vida de hackear o sistema através da linguagem. Ou impor o padrão do sistema de forma taxada em cima da gente ao desqualificar a defesa de um ponto de vista que se propõe a levantar uma questão pertinente e urgente no meio acadêmico e simplesmente dizer: "Foi um desabafo, né?".

Não foi um desabafo.
Foram os fatos, no modo empírico que esse sistema maluco técnico científico me manda obedecer todos os dias, seguindo padrões, normas, regras, os escambau para validar o que eu digo, mesmo que seja 1 página enchendo linguiça para então ter uma conclusão objetiva daquilo que é mais importante.

Isso a universidade não ensina. Na verdade doutrina, porque a gente PRECISA aprender a hackear a linguagem dessa forma.

Há a questão do suporte também, e seus destinatários, um email para instâncias maiores que um mero estagiário explanando uma situação como essa acima não se caracteriza como desabafo. É procedimento padrão de todo estudante que se preze em defender os seus direitos. Escrever sobre a situação toda num blog (como esse) pode ser caracterizado como desabafo, aqui qualquer um lê, qualquer um pode opinar, não tenho que me resguardar na escrita (mas estou por fins de dar seriedade ao tópico) . Mas tou usando o canone, não as estratégias informais de desespero com frases apelativas, isso não é um desabafo. 

A linguagem de novo regulando como se deve se expressar pro mundo. 

Afinal de contas, é novidade pro sistema acadêmico perceber que a gente usa o cérebro e pratica as mesmas normas que eles impõem sobre a gente pra pedir respostas por situações urgentes? 

Tá parecendo. 

Usei um "tá" - Eu sei, informal. Isso aqui é um desabafo? Deve ser, porque tou escrevendo num blog. 
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