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domingo, 12 de agosto de 2018

[bibliotequices] burocracias e legislaturas

Da sessão: "Nossa Morgan, você não cansa de falar sobre isso não?"
A resposta óbvia é não. Não canso de apontar os defeitos da minha profissão pra ver se pelo menos um caboclo fique perturbado e vá lá botar a cabeça pra funcionar e pesquisar as inconsistências e incoerências E FAZER ALGO SOBRE, POXA!


Nossa profissão é bem burocrata.
Talvez engessada pela Academia, talvez pelo sistema que mantemos com unhas e dentes.
Aí vai lá dar uma olhada na nossa Legislação e tá, parte burocrata, parte multidisciplinar que vou fingir que é interdisciplinar e sei lá, ver o que dá essa soma de afinidades e habilidades aí.
Aí vai pros currículos do curso aí afora e vê que não tem um consenso geral do que a gente é afinal ou quem estamos formando.
(Tamos formando gente pra ser bibliotecário ou burocratas com diploma para realimentar o sistema acadêmico?)


Aí vem a confusão de termos técnicos que a gente ama pegar emprestado de outras áreas e não colocar contexto nos tréco, ensina os graduandos como fazer um bolo simples, mas esquece de dizer como ligar o forninho. Aliás, se algum deles sacar que tem que levar a massa ao forno, vai constatar que tá sem gás. A receita de bolo é uma mentira.


Voltemos a Legislação: o que devo fazer para ser um bibliotecário? 1 parágrafo bem explicadinho, uns 3 artigos na lei de 1962. Beleeeeeza dá pra partir daí e fazer inferências do que posso ser. Empolgação a mil! A IFLA e órgãos internacionais trazem outras fontes pra ajudar na ligação dos pontinhos (Na nossa área tem que ligar pontinhos o tempo todo, às vezes tem que pegar a mão do sujeito acadêmico e seguir junto com ele os pontinhos.).

Parece lógico.
A soma tá parecendo que vai bater.

Aí no restante do papel padrão assinado pelo Jango: "O que você NÃO DEVE SER e hey! Vamos lá falar do seu Conselho?" - então vai lá falar do Conselho, talvez eles dêem uma palhinha do que posso fazer, né? Esperanças! Conselhos fiscalizam coisas e pessoas, eles devem ter normativas pra me direcionar.

No Código de Ética, conta aí, 20% do texto é aquilo que é meu direito em ser bibliotecário, uns 35% o que NÃO DEVO FAZER como bibliotecário. Os 55% fala do quê? O que o Conselho pode fazer comigo se eu descumprir algo acordado ali nos 35% e AI SE MEXER NOS 20%!!

Talvez o Sindicato possa me dar uma ajudinha...
Eita, não tem Sindicato...
Segue o baile? Segue o bailinho...

Aí tamos pra formar, e tá naquela hora de autocrítica, reflexão de 4 anos em um curso que em mobilização política parece uma biblioteca medieval (silencioooooosa e se mexer nos livros proibidos morre envenenado). Então você fica só com a parte técnica mesmo (É o que tá garantido nas leis e resoluções, o currículo não mexe de jeito algum, isso jamais sai de moda) e aquele tréco mais confuso da Ciências Sociais Aplicadas (O tal do social, essa quimera de dentes afiados) deixa pra sei lá... Esses pesquisadores aí pesquisarem. É a função deles né? Afinal precisa de gente estudando a gente pra gente evoluir no pensamento.

Parece lógico.
Pelo menos era assim que as Ciências se estabeleceram nesse planeta.
Cê vai lá, estuda a coisa, disseca a coisa, escreve da coisa, prova da coisa e pronto, a coisa existe.
(Ela já existia antes de você dissecar, mas lembra? Burocratas, gente! Vamos seguir as regrinhas? Ou vai pro cantinho do castigo sem pontinhos de citação, hehehehe)

Aí quem ficou na academia prefere pegar a quimera de dentes afiadíssimos, dissecar o bicho e decidir que "Oh, é isso aqui que é pra ser Biblioteconomia agora. Bora estudar só isso e o que vier de fora ignoramos, porque essa parte da quimera dá mais status e dinheiro que tentar estudar a cabeça dela..." - (E cês sacam que quimeras tem várias cabeças né?) aí vai uma renca de gente que se formou sem saber em que realmente se formou (Lembra da atividade nula de movimentação política e união de classe?) pra estudar a textura do couro na parte interna da barriga da quimera. Aquela parte que começa o leão e termina a serpente. Porque alguém (burocrata acadêmico) disse que aquela parte que é valorizada no mercado inexistente de moeda fictícia. A gente vende palavras e dissecação de quimeras pra nós mesmos para sobreviver na academia, gente.

Vai ter doutor gritando um com o outro que a serpente é mais importante e outros esperneando que é o leão, e a gente que formou e foi pro mercado de trabalho fora do mundo ilusório e encantado do Parnasianismo Acadêmico (Não, não há unicórnios aqui, aliás se falar de unicórnios tem perigo de ser taxado de humanista, não burocrata. Que blasfêmia), só queremos saber quando geral vai sacar que não é pra isso que bibliotecário serve, agora, nesse momento. Ou quando os doutores vão parar de falar de si mesmos e começar a a somar com a comunidade, com a cidade, com a sociedade.

A gente espera o milagre cair do céu, porque somos um bando de frouxos, tem essa também, então qualquer lugar tá bom, assalariado ou não, fora da função em que nos formamos ou não, aprendendo na ladeira abaixo que a sociedade anda pegando impulso quando se fala de Ensino, Ciência e Tecnologia.
(Nunca me senti confortável com carrinhos de rolimã, mas vai...)

Quem forma e tinha essa ideia que talvez, TALVEZ pudesse fazer alguma diferença lá fora (o mundo frio e cruel, real, Neo, não essa simulação da Matrix Lattes que vocês amam idolatrar como única realidade existente), mas vai engolindo o que dá com essa de profissional da informação (um termo que veio para agregar áreas de conhecimento parecidas com a biblioteconomia ou um termo genérico para esvaziar o sentido do que essas profissões ali integradas significam pra sociedade? Já fui questionada se trabalhava como guia turística ao falar de profissional da informação. Turismo não tá no nosso balaio), as diferenças de salários de uma cidade pra outra, a desvalorização do teu trabalho, a indiferença de um governo que não pretende deixar povão inteligente, esperto e pronto pro mundo real. Fica aí burocrata, obedece as 8 horas de trabalho (6h em algumas repartições tradicionais), não dá um pio e ai de tentar desestabilizar o sistema! Somos os cães de guarda dos afortunados do pedestal da intelectualidade e louros acadêmicos. Não vem mexer na pirâmide não!

Tudo bem.
Parece lógico.
Afinal, não tem nada na história da minha profissão que relate um levante de bibliotecários revolucionando sei lá, o sistema de bibliotecas públicas de uma das cidades mais violentas do mundo. A frouxidão tem seus benefícios.
Aí vou olhar a Legislação de novo (Burocratas amam ter certeza que estão certos conforme as leis).
Vou lembrar das minhas aulas na graduação, do sofrimento do mestrado e do buraco interdimensional que o doutorado provocou entre a teoria e a prática.

A soma não tá batendo.
As leis não estão condizendo com os currículos e os currículos não estão condizendo com a vida real lá fora.
Vamos além! Sapowha que cês chamam de Biblioteconomia nem mais pode ser considerada Biblioteconomia de tanta quimera dissecada brotando nos currículos, termos emprestados que se perdem de contexto no meio do caminho, gente formando e fazendo piada (E chorando) com o "Biblio o quê?!", porque sinceramente NÃO SABEM o que estão formando para serem o quê.

Biblio-o quê?
Biblio-do quê?
Biblio-de quem?
(Oh, oh! Essa eu sei! Eu sei! Da elite cafeeira formada na Europa que volta pro Brasil pra civilizar os burraldos daqui! Opa, não? Não é isso? Não estamos no começo do século XX? Mas parece? Tem gente aí da minha área batendo panela, pedindo pra volta do fascismo e continua achando que somos guardiões do saber e da língua pátria...)

Acho que já tá na hora da gente se perguntar "Biblio-pra quê?", porque tá perdendo muito do gênesis da profissão nessa bagunça caótica que resolvemos nos meter quando nos autoproclamamos como "interdisciplinares", a ciência que se relaciona com todas as áreas do conhecimento, os "mediadores de informação" como uns livros adoram conceituar.

Porque tem coisa errada nesse cálculo, gente.
A Legislação brasileira diz uma coisa.
Os currículos de graduação ensinam outra.
O mundo lá fora mostra OUTRA realidade pra gente trabalhar.
(E não é 6k de salário em empresa de informação não, bobinhos, isso é conversinha pra boi mimir, burocrata é ser realista/fatalista)

A soma não tá batendo.
O 2 + 2 que era pra ser 4 (E nós, burocratas AMAMOS tanto quando a racionalidade científica dá certo e calamos a boca de quem diz o contrário) virou aquele paradoxo horrendo de 1984 de Orwell.

2 + 2 é 5 aqui na Biblioteconomia.
E ai de dizer que é 4.
Legislação e currículos quebram seus dedos até você acreditar que é 5.
(Sorrie e acene, camarada, sorrie e acene...)

sábado, 24 de junho de 2017

[bibliotequices] óticas sobre ética profissional

As aulas de História levantam alguns momentos épicos de verificar a estabilidade ética d@s graduand@s desse curso tão aclamado. Já avisando que são deliberações sem qualquer objetivo de estabelecer opiniões e todo o jazz de discurso já feito. Essa postagem é feita justamente para levantar questionamentos, favorecer reflexões, essas coisa chata de gente que filosofa.

Afinal de contas, onde vamos buscar os ditames éticos de nossa profissão? Temos nosso Código lá do CFB - entidade maior de representação de nossa categoria - com as seguintes palavras.

SEÇÃO II – DOS DEVERES E OBRIGAÇÕES
Art.2º - Os deveres do profissional de Biblioteconomia compreendem, além do exercício de suas atividades:
e) contribuir, como cidadão e como profissional, para o incessante desenvolvimento da sociedade e dos princípios legais que regem o país 
Art.7º - O Bibliotecário deve, em relação aos usuários e clientes, observar as seguintes condutas:
a) aplicar todo zelo e recursos ao seu alcance no atendimento ao público, não se recusando a prestar assistência profissional, salvo por relevante motivo;
b) tratar os usuários e clientes com respeito e urbanidade
Art.8º - O Bibliotecário deve interessar-se pelo bem público e, com tal finalidade, contribuir com seus conhecimentos, capacidade e experiência para melhor servir a coletividade
SEÇÃO III - DOS DIREITOS
Art. 11 - São direitos do profissional Bibliotecário:
a) exercer a profissão independentemente de questões referentes a religião, raça, sexo, cor e idade;
Nota para essa citação: Publicado no Diário Oficial da União de 14.01.02, seção I. p. 64

Para o Ensino de Ética nos cursos de Biblioteconomia, temos:
 - Considerando que a educação do bibliotecário deve ter como uma de suas finalidades o colocar-se a serviço da sociedade;
 - Considerando que é responsabilidade das Escolas de Biblioteconomia a formação de profissionais conscientes de responsabilidades para com a comunidade;
 - Considerando, ainda, que só assim os estudantes de Biblioteconomia poderão interpretar e ter consciência dos princípios éticos inerentes à profissão a que se dedicarão;
Nota para ambas as citações acima: negrito são grifos meus pra gente não perder o fio da meada.
Aí quando falamos de pessoas em situação de risco como os sem-teto ou situação de rua, como o eufemismo gosta de quantificar nas pesquisas, temos essas nuances passando entre moralidade, valores pessoais e ética profissional.

Quando você apela para uma dessas na tríade, vai haver consequências a se responsabilizar e arcar. O Código Ético da profissão diz isso aí, cumprir é imprescindível de acordo com a Lei e da teórica ufanista romântica noção de que se respeitando as leis, o mundo se torna lindo e maravilhoso. Então se eu colocar o Código de Ética ACIMA de qualquer outra instância que codifica e formaliza a minha vida particular e sim a minha vida pública e profissional, haverá treta.

E NÃO TEM COMO FUGIR!
Então você, bibliotecári@, estagiári@ em uma unidade de informação, que se depara com pessoas em situação de rua e vai fazer o seu trabalho conforme seus preceitos morais ou valores pessoais, automaticamente estará saindo do Código Ético Profissional, lei promulgada por uma categoria em que você pertence, outorgada por autoridades da sua área, logo o que isso cheira?

Subversivo né?
Infringindo lei é?
Marginal?
Desrespeitando todo um conjunto de leis explícitas que todo mundo tem acesso e pode julgar como irregular passível de punição profissional e por que não criminal?

Então voltando a pessoa em situação de rua que frequenta a unidade de informação em que você atua. Ela está ali, ela existe, ela cheira diferente do que você está acostumado em sua posição de privilégio e normatividade, ela se comporta de forma fora do seu entendimento discursivo, ela utiliza aquele espaço pretenciosamente democrático para ações que estão fora da sua ideia de percepção em uma biblioteca (tipo realizar higiene pessoal no banheiro da biblioteca, porque guess what? Ela não tem onde tomar banho, lavar o rosto, ficar água potável - usa drogas naquele espaço íntimo e privativo por X razões que NÃO ESTÃO na sua alçada de compreensão da psique humana e vivência na realidade em que você habita), o mundo lindo e maravilhoso da ética profissional rui em um segundo.

O que fazer? Opções mais óbvias?
  1. chama a Polícia
  2. chama a segurança da instituição (que com certeza vai pro item 1)
  3. se apavora e deixa seja lá que o cara tá fazendo e reza pra todos os santos/deuses pra ele não voltar mais
  4. chama a Polícia
  5. respira fundo e vai encarar a pessoa e saber o que raios ela tá fazendo ali
  6. entende que sua função como bibliotecário não é pra ser babá de morador de rua
  7. já disse sobre chamar a Polícia?
  8. revê seu papel no mundo naquela situação, calça (???) as calças da alteridade e vai ajudar o camarada a entender que há lugares e lugares. Tomar banho no lavabo do banheiro de uma Biblioteca ou usar drogas ali não é adequado. dar essa informação, por mais idiota e óbvia que seja pode causar alguma aproximação ou hostilidade.

A treta vai sendo ampliada com as definições mais generalizadas sobre essas 3 coisinhas ali que vou citar daqui a pouco - isso dá uma briga ferrada no campo das Ciências que você não faz ideia. As reações da lista acima são possíveis em cenários diversos, mas o que pega é o embate entre:
  1. valores pessoais (essa porcariada toda de bagagem que você construiu durante sua vida como caráter e personalidade)
  2. preceitos morais (outro bagulho entulhado na sua mente, corpo e coração que a sociedade e cultura em que você está inserido enfiou por goela abaixo)
  3. ética (o conjunto de 1 e 2, MAIS a ruminação do que é o mais acertado a se fazer na hora)

E acertado é garantir que o indivíduo citado esteja resguardado de seus direitos de cidadão AND amparado por um Código de Ética Profissional que fucking assegura os direitos dele e os seus de agir conforme uma normativa blá-blá-blá chancelada pelas autoridades e blá-blá-blá.

Essa violação de conduta profissional por não entendermos onde 1 e 2 estão sendo usados ACIMA de 3, já que por teoria 3 deveria ser a prioridade. 3 é a regra geral, 3 por mais falha e nonsense que possa parecer em situações como essas descritas ali em cima (do sujeito fazendo coisa que não deve em lugares que não correspondem aquele tipo de comportamento), prevalece. Por quê?

Porque ter um Código Ético Profissional é um norte de qualquer  dúvida que você tenha sobre sua atuação profissional. Ética, nesse caso, traz a noção de interpretação e reconhecimento que você, como bibliotecário ou estagiário ESTÁ ENQUADRADO a assumir que vai se comprometer a obedecer o que o Código diz. A pessoa em situação de rua fumando crack no banheiro ou outro lugar da biblioteca está ali por uma razão, uma razão que não está sob seu controle ou ter o poder transformador de fazer um milagre.

Esse não é o ponto.
Você não vai salvar a vida do camarada, não é essa a intenção, não é a garantia que o Código dá para você atuar sobre o problema. É como você vai usar esse problema para conscientizar a pessoa que ali, naquela biblioteca, tem opções de uso de seus serviços para ficar informada que o que ela tá fazendo não condiz com a função real de uma biblioteca.

Você tem opções de como fazer isso de forma adequada ou de não.
Chamar a Polícia ou qualquer outro órgão com essência repreensiva não será a solução mais legal do mundo, acredite. Ter o telefone de um albergue de passagem, órgãos de defesa aos direitos de pessoas em risco (CRAS, CREA, SEMAS do seu município) é uma opção ambígua - pois não há garantia se o milagre pro camarada vai acontecer assim lindo e maravilhoso como a gente quer.

A opção que o Código nos dá é respeitar e informar. E apenas isso. Fazer com sensibilidade ou não vai dos preceitos morais e valores pessoais de cada um. Ou não. Posso ser uma babaca há 200 metros fora do meu local de trabalho, mas continuar o meu trabalho eticamente perfeito de acordo com uma legislação que me prediz a fazer isso.

Exemplo pessoal: o meu valor pessoal é questionar até o cansaço qualquer pessoa que vier falar de religião no balcão. Essa é a minha ótica de encarar o assunto religião. Cristão, budista, umbandista, wiccan, maçom, eu vou questionar, está intrínseco a minha pessoa, a curiosidade e a petulância de querer fazer a pessoa pensar duas vezes antes de querer dar lição de moral através do uso do discurso religioso me é tentador, querer saber mais sobre essas opiniões tão diferentes da minha também terrivelmente tentador. Mas essa curiosidade mórbida pode não ser uma boa coisa para o sucesso de atendimento com acesso a informação imparcial e condizer com meu dever como bibliotecári@ ou estagiári@ ali naquele momento.

Meu preceito moral é respeitar qualquer um que professe sua crença no balcão ao querer pesquisar sobre algo nesse assunto. Isso não só está no meu valor pessoal, mas também de visão da religião como o religare, a conexão de pessoas e um sentido plausível e aceitável pra pessoa viver em harmonia com o universo. Mesmo que você acredite que um alien chamado Xenu forçou milhares de almas a serem jogados em um vulcão e essas "almas" foram transmigradas para corpos dos primeiros ancestrais dos homo sapiens¹.

Minha ética profissional é esquecer as duas coisas ali e dar informações pra pessoa sem distinguir sexo, gênero, religião, cor da pele, se ele é fã de gatos ou cachorros ou se ele é capelão militar questionando severamente o porquê haver só 2 bíblias na unidade de informação. A Ética Profissional que eu JUREI ao pegar aquele canudo roxo simbólico de tudo que estudei e prometi em proteger, preservar e tudo mais, isso eu DEVO cumprir. Lembram do Juramento da Profissão?

"Prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de Bibliotecário, fundamentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana"

E serei bem honesta: a 200 metros da biblioteca eu sou e estou na minha visão de mundo dos 2 itens de valores pessoais e preceitos morais. E a minha ética no reinterpretar esses dois itens em outro espaço de convivência é outra. Dentro da biblioteca, essa instituição fluída e subjetiva, não construto cheio de estantes e livros, sou eticamente responsável por um tipo de reação/ação sobre situações como essa. Lá fora, na rua, em minha casa, entre amigos, dançando ula-ula dentro do busão 221 de Canas, a ética muda. A forma de se enxergar a Ética Profissional muda.
Eu encheria o capelão de perguntas ou ficaria em silêncio?
(Militar, com carteirada do Exército, porte intimidador e já largando que não viu Bíblias suficientes na biblioteca? Óbvio que seria silêncio, isso se chama autopreservação, algo que a Ética Profissional não vai conseguir ter condições de me dar instruções sobre o que fazer quando sinto que estou sendo repreendide por algo que está fora do meu alcance)

Diferenciar o público do privado. Estabelecer limites, linhas imaginárias, por mais aproximadas que estejam, traçar fronteiras do quem eu sou e o que estou fazendo.

Aí chega numa parte do artigo sobre Ética na Wikipedia e essa passagem quebra os raio da bicicreta:
A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos.
Será que tou conseguindo ser coerente no que estou escrevendo?

Se a Ética Profissional é a lei maior em uma categoria profissional, por que ainda insistimos a ir primeiro pelos valores pessoais e preceitos morais?

Será que o Código de Ética está mesmo abraçando todo entendimento de Humanidade que devo conservar ao atuar como bibliotecário em situações como essas?

Vou mais além, será que a atuação profissional deve ser pautada em valores pessoais (e a linha tênue entre confundir cada item com outro é tão perigosa, gente) e preceitos morais para DEPOIS haver uma construção coletiva sobre a Ética Profissional do bibliotecário?

Será que a gente risca isso tudo é só obedece o Código de Ética?

Não risca nada e continua a atuar conforme a própria consciência?
(Ou essa noção ilusiva do que é a própria consciência)

Para mais informações, pelamoooooor parem de ser passivones da vida e leiam:
RESOLUÇÃO No 153, DE 06 DE MARÇO DE 1976 - Dispõe sobre o ensino de ética bibliotecária

~Le Legislação Básica de nosso trabalho - Conselho Federal de Biblioteconomia.

~Le juramento da Profissão - RESOLUÇÃO Nº 6, DE 13 DE JULHO DE 1966

RESOLUÇÃO CFB N.º 42 DE 11 DE JANEIRO DE 2002 - Dispõe sobre Código do Ética do Conselho Federal de Biblioteconomia.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

o peso da beca, do canudo, do capelo

Ontem foi a formatura da primeira turma em que me enfiei de vez na Biblio. Era a 3ª fase com um bando de gente bacana e de diversas vertentes de unidades de informação. Ter aulas com eles foi extremamente importante para eu sentir que o curso era firmeza, a carreira era promissora, as pessoas eram simpáticas.

Vendo eles recebendo os engessados ritos de colação de grau - Então é preciso alguém com título maior, cargo político, um objeto estranho encostado na caixa cranial pra ser finalmente bibliotecárix? Na Letras eu já me sentia professora desde o momento em que fui obrigadx a fazer um plano de aula na correria - meio que apertou um parafuso que tava aqui virando pra lá e pra cá: o parafuso da Ética.

Aí a fessora cutch-cutch que discursa muito nessa linha da Biblioteconomia fez o discurso como patrona da turma. E a coisinha linda citou Aristóteles, Kant e a diferença do Ethos com épsilon e Ethos com eta. O meu coração que já tá ferrado meio que deu um compasso trincado, desses de muitos goles de bebida forte, mas que não está completamente bêbado. Tocar nessa parte da terminologia de palavras que são terrivelmente empregadas em nosso curso, mas que ninguém tá nem aí par asaber pra que servem, é como um refresco nesse mar bisonho em que ando navegando.

Ela resgatou o Código de Ética do Bibliotecário (esse aí embaixo e que tenho diversas considerações a fazer que são contraditórias com o fazer bibliotecário de agora) e disse da importância do quanto é importante verificar a terminologia de nossos conceitos. Não obedecemos um código de ética para estamos na linha, fazer conforme a cartilha, não questionar nossa posição no mundo e a do Outro - seguimos um padrão alinhado de conjunto de regras para nossa profissão por termos a noção de que o bem maior, o bem estar social, a dignidade e a cidadania tá nas nossas mãos também.