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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

essa é a minha vida de cdf since 1986

Apenas para dizer que eu AMO voltar a ter aulas, porque o ambiente universitário é coisa que me relaaaaaaaxa (irmã Selma feelings).

E agitar pompons para professoras que não só admiro como quero tudo de bom nessa vida é muito, muito bom. É a perspectiva de que posso ter diálogo com elas sem firulas que dá esperanças na vida bibliotequera. São esses os exemplos que a gente pode levar pro resto da carreira e criar lacinhos fofuxos de dominação mundial via bibliotecas.

No evento em que fui hoje sobre algo que me fez refletir sobre o que raios faço todos os dias desde 2013 e quero fazer o resto da vida, foi overload de pompons internos, tipo cheerleader mesmo gente, não vou negar.



Quando é pra dar apoio pra quem me inspira todo dia, pode apostar que farei de um jeito esquisito. Ou sei lá, sair no meio da palestra pra abraçar muito a pessoa que me ensinou sobre a importância de uma gestão focada no serumaninho do que em dinheiro. E que foi muito muito muito gentil comigo em tempos difíceis de superação de crises existenciais sobre o curso (já tive duas esses 4 anos, firme e forte nas estantes!).

Aí a minha mestre Jedi senta no fundão e já me enche de orgulho por ela estar ali compartilhando as ideias e que sim, vou poder sentar e conversar sobre trocentos planos para o futuro.

E a pessoinha mais sorridente e awesome que senta ao meu lado e que me dá aula desde começo do ano que não faz ideia do quanto me ajuda a fazer o que mais amo nesse mundo (Biblioteconomia) de um modo em que posso ter certeza que não tou fazendo bobagem, não tou errada por pensar fora da caixa, que querer fazer um mundo mais legalzinho não é ideia de jerico, por me dar uma força (mesmo não sabendo lalalalala) quando me vejo fora dessa universidade, atuando na profissão que escolhi pra mim.
(A única decisão própria acertada na vida, lembram?)

A cerejinha do bolo é receber um abraço de esmagar as juntas e um presentão incrível e do coração da molieeeeer virginiana mais interessante e idealista que conheci - obrigada ACB por isso - me vejo muito nela e também presto bem atenção no que ela faz pra ter uma base de como continuar nessa vida de escriba.

É muito pompom pra quem não consegue conter o fangaling quando precisa. É mazomeno assim:


Apesar de saber que não posso transparecer o quanto fico em um estado de euforia frenético quando vejo tanta gente awesome que me inspira tanto, escrevo essa postagem mesmo assim, porque sério? Desde a Letras aprendi a valorizar meus docentes decentes como eles merecem, só faço em silêncio pra não me chamarem de cdf.
(Tá, pode chamar de teacher's pet também... Nem ligo mais, há coisas na vida que a gente esquece de agradecer por essas pessoas pertencerem a um continuum espaço-tempo mesmo que o nosso e expressar gratidão da forma mais sincera possível vem sendo minha resolução desde que saí da primeira graduação.)

Obrigadão pessoas lindas, vocês sabem quem são. E prometo não causar muito distúrbio ao agitar os pompons!
(Onde será que vende um par desses hein?)

quarta-feira, 26 de julho de 2017

[bibliotequices] estágiômetro já?!

Rápido! Levanta a mão quem gostaria se um portal de medição de satisfação e relevância de Estágios em Biblioteconomia feito por estudantes e para estudantes? 

Não seria legal ter onde consultar antes de escolher qual empresa é socialmente correta para te acolher? Não seria o máximo no mesmo lugar haver um sistema de reviews com estrelinhas para lugares de estágios? 

Não seria fucking great se esse portal fosse uma forma do CRB/CFB colher dados e estatística pra agir com mais pontualidade em casos extremos de agressão as condições físicas e psicológicas dos graduandos? 

BIBLIO BROTHER IS WATCHING YOU!! 

E as instituições com reviews mais altos recebem reconhecimento e propaganda grátis, aí forçaria (sim, com esse verbo no imperativo) a se adequarem na qualidade de manter um estagiário produtivo, não uma ameba desiludida. 

E aí portal transparência pra todo mundo cuidar da vida profissional de todo mundo. Cada unidade de informação citada procurando sanar os problemas como o padrão Reclame Aqui. 
Instituição sacaneou com estudante dizendo que sua função era x e botaram na y e nas piores condições? 
Unidade de Informação apoiou crescimento profissional e deu suporte em projetos de inovação e desenvolvimento sustentável em que o estudante se engajou? 
O ambiente de trabalho é hostil e prejudicial a saúde? 
É o melhor lugar que um graduando poderia atuar? 
Dá um review fofuxo que todo mundo vê, a Internet é algo livre, chuchus! 

Não seria maravilhoso semear o Caos e a discórdia dessa forma tão democrática e de acesso aberto? 

Oras, se a CAPES tem aquela tabela monstruosa e da humilhação com classificação de melhores e piores periódico cientifico pra se sustentar de estrelinha no currículo lattes, por que não algo assim? 

Muito megalomaníaco? 
Sinistro? 
Altamente qualificado como propagação de desavenças eternas dentro da área e instrumento de opressão contra a hierarquia superior? 
Revolução biblioteconomística virtual? 

Cadê a gasolina, monamu, que tá pequena essa fogueirinha! 
(Ranganathan abençoa que não sei programar ainda, acende uma vela pra espantar esse ser miserável de mim? Não?) 

Edit: *insira risada maquiavélica aqui*
Minha mão escapou, assim de levinho... Começando com indicando os lugares que ofertaram/ofertam vagas, pesquisando agora como incluir os reviews ohohohohohohohoho


Conhece algum lugar que oferta vaga de estágio pra Biblioteconomia na grande Florianópolis?
Envia email para brmorgado@gmail.com ou deixa comentário aqui pra eu incluir ^____^
Logo esse trem funfa do jeito caótico que tava planejando...

domingo, 2 de julho de 2017

eu escrevendo textões

https://brdramallama.tumblr.com/post/161873162996/mewhen-im-all-about-library-information-science


Tradução:
"Eu não sei como ficar  emocionalmente neutra quanto estou escrevendo sobre algo que sou apaixonada. Eu tenho paixão, Winn. Um tanto disso."

Assim como a herdeira de Krypton, me acomete de tempos em tempos essa imparcialidade nos julgamentos quando vou escrever algo que está aparelhado ao conjunto coração/alma. Biblioteconomia vai bem nessa estradinha sem retorno.

Aliás, as postagens estão meio raras esses dias, culpem a volta da dor nas costas e o meu cérebro sendo ocupado por trabalhos acadêmicos (que não vou aproveitar tão cedo em qualquer coisa na vida de estagiárie).

sábado, 24 de junho de 2017

[bibliotequices] teoria e prática drástica

A gente faz uns paralelos na vida para poder ter uma noção do que deve fazer ou não enquanto se atua profissionalmente. Por exemplo: volta e meia questiono o que raios tou aprendendo nas aulas que vá de certa forma contribuir para 3 pilares da minha atuação:
  1. o que tou aprendendo vai ajudar a pessoa que atendo mais rápido, com eficácia e satisfação?
  2. o que tou aprendendo tá facilitando o meu trabalho para o item 1?
  3. o que tou aprendendo é RELEVANTE para aquela situação e não só uma sofisticação besta que será usada 1 vez só e pronto, acabou?
O que pesa mais aí: o que tou aprendendo vou conseguir repassar para outra pessoa - leiga ou não - em um futuro próximo para ela poder aplicar as mesmas teorias na prática?

Porque bibliotecário tem dessas coisas de guardar os pulos dos gatos para si, de não compartilhar informação uns com os outros porque acham que vão puxar o tapete deles (E vão, acreditem), ou sei lá, medo de se tornar obsoleto por inovar em alguma coisa e não ser significativo no final das contas (E acontece). Por isso a gente apela em buscar identidades e funcionalidades em outras áreas, porque a nossa essencialmente não é para se tornar especializada NELA MESMA (Parnasianismo Biblioteconomístico?), mas sim o integrar sempre as áreas em que estamos nos dispondo a trabalhar, atuar e auxiliar.

Então quando saio de um semestre que aprendi cerca de 5 ou 6 ferramentas vindas de áreas diferentes da minha (Administração principalmente), não estou negando a minha fidelidade aos preceitos de Ranganathan (Até porque o patrono da Biblio era matemático), estou aplicando um conhecimento fora da minha esfera para solucionar um problema da minha alçada. Não há vergonha nisso.

O trem começa a ficar confuso quando a gente se esquece do porquê tá fazendo aquilo. O motivo, o objetivo, o que se espera alcançar. vejo muito essas ferramentas serem aplicadas para processos de alguma coisa, e não para "no final é pra ajudar todo mundo e conseguir paz mundial". Aí que começa o parnasianismo biblioteconomístico, uma coisa que ~ahem~ certo outro curso¹ que sempre se infiltra em nossa área gosta de fazer ad nauseam.

Por isso não entendo o que raios eles fazem da vida.
Por isso pergunto sempre o que eles querem no nosso curso, porque não tá explícito.

É pra ganhar dinheiro?
É pra render mais capitalmente?
É para produzir mais e ter estrelinha bunitinha de órgãos de regulamentação científica?
É para ajudar em processos intrínsecos de nossa profissão, mas ao mesmo tempo fazendo ponte com teorias de outros cursos/áreas para melhorias dos meus processos?
Tudo bem, gente, não precisa ser a paz mundial, a democracia do conhecimento científico ou a vontade de mudar o mundo, pode ser dinheiro mesmo, pode ser status, pode ser o que vocês quiserem, só preciso entender o que raios fazem para ficarem num looping eterno no processo e não resolverem nada.

Debaixo do link, mais considerações.

[bibliotequices] óticas sobre ética profissional

As aulas de História levantam alguns momentos épicos de verificar a estabilidade ética d@s graduand@s desse curso tão aclamado. Já avisando que são deliberações sem qualquer objetivo de estabelecer opiniões e todo o jazz de discurso já feito. Essa postagem é feita justamente para levantar questionamentos, favorecer reflexões, essas coisa chata de gente que filosofa.

Afinal de contas, onde vamos buscar os ditames éticos de nossa profissão? Temos nosso Código lá do CFB - entidade maior de representação de nossa categoria - com as seguintes palavras.

SEÇÃO II – DOS DEVERES E OBRIGAÇÕES
Art.2º - Os deveres do profissional de Biblioteconomia compreendem, além do exercício de suas atividades:
e) contribuir, como cidadão e como profissional, para o incessante desenvolvimento da sociedade e dos princípios legais que regem o país 
Art.7º - O Bibliotecário deve, em relação aos usuários e clientes, observar as seguintes condutas:
a) aplicar todo zelo e recursos ao seu alcance no atendimento ao público, não se recusando a prestar assistência profissional, salvo por relevante motivo;
b) tratar os usuários e clientes com respeito e urbanidade
Art.8º - O Bibliotecário deve interessar-se pelo bem público e, com tal finalidade, contribuir com seus conhecimentos, capacidade e experiência para melhor servir a coletividade
SEÇÃO III - DOS DIREITOS
Art. 11 - São direitos do profissional Bibliotecário:
a) exercer a profissão independentemente de questões referentes a religião, raça, sexo, cor e idade;
Nota para essa citação: Publicado no Diário Oficial da União de 14.01.02, seção I. p. 64

Para o Ensino de Ética nos cursos de Biblioteconomia, temos:
 - Considerando que a educação do bibliotecário deve ter como uma de suas finalidades o colocar-se a serviço da sociedade;
 - Considerando que é responsabilidade das Escolas de Biblioteconomia a formação de profissionais conscientes de responsabilidades para com a comunidade;
 - Considerando, ainda, que só assim os estudantes de Biblioteconomia poderão interpretar e ter consciência dos princípios éticos inerentes à profissão a que se dedicarão;
Nota para ambas as citações acima: negrito são grifos meus pra gente não perder o fio da meada.
Aí quando falamos de pessoas em situação de risco como os sem-teto ou situação de rua, como o eufemismo gosta de quantificar nas pesquisas, temos essas nuances passando entre moralidade, valores pessoais e ética profissional.

Quando você apela para uma dessas na tríade, vai haver consequências a se responsabilizar e arcar. O Código Ético da profissão diz isso aí, cumprir é imprescindível de acordo com a Lei e da teórica ufanista romântica noção de que se respeitando as leis, o mundo se torna lindo e maravilhoso. Então se eu colocar o Código de Ética ACIMA de qualquer outra instância que codifica e formaliza a minha vida particular e sim a minha vida pública e profissional, haverá treta.

E NÃO TEM COMO FUGIR!
Então você, bibliotecári@, estagiári@ em uma unidade de informação, que se depara com pessoas em situação de rua e vai fazer o seu trabalho conforme seus preceitos morais ou valores pessoais, automaticamente estará saindo do Código Ético Profissional, lei promulgada por uma categoria em que você pertence, outorgada por autoridades da sua área, logo o que isso cheira?

Subversivo né?
Infringindo lei é?
Marginal?
Desrespeitando todo um conjunto de leis explícitas que todo mundo tem acesso e pode julgar como irregular passível de punição profissional e por que não criminal?

Então voltando a pessoa em situação de rua que frequenta a unidade de informação em que você atua. Ela está ali, ela existe, ela cheira diferente do que você está acostumado em sua posição de privilégio e normatividade, ela se comporta de forma fora do seu entendimento discursivo, ela utiliza aquele espaço pretenciosamente democrático para ações que estão fora da sua ideia de percepção em uma biblioteca (tipo realizar higiene pessoal no banheiro da biblioteca, porque guess what? Ela não tem onde tomar banho, lavar o rosto, ficar água potável - usa drogas naquele espaço íntimo e privativo por X razões que NÃO ESTÃO na sua alçada de compreensão da psique humana e vivência na realidade em que você habita), o mundo lindo e maravilhoso da ética profissional rui em um segundo.

O que fazer? Opções mais óbvias?
  1. chama a Polícia
  2. chama a segurança da instituição (que com certeza vai pro item 1)
  3. se apavora e deixa seja lá que o cara tá fazendo e reza pra todos os santos/deuses pra ele não voltar mais
  4. chama a Polícia
  5. respira fundo e vai encarar a pessoa e saber o que raios ela tá fazendo ali
  6. entende que sua função como bibliotecário não é pra ser babá de morador de rua
  7. já disse sobre chamar a Polícia?
  8. revê seu papel no mundo naquela situação, calça (???) as calças da alteridade e vai ajudar o camarada a entender que há lugares e lugares. Tomar banho no lavabo do banheiro de uma Biblioteca ou usar drogas ali não é adequado. dar essa informação, por mais idiota e óbvia que seja pode causar alguma aproximação ou hostilidade.

A treta vai sendo ampliada com as definições mais generalizadas sobre essas 3 coisinhas ali que vou citar daqui a pouco - isso dá uma briga ferrada no campo das Ciências que você não faz ideia. As reações da lista acima são possíveis em cenários diversos, mas o que pega é o embate entre:
  1. valores pessoais (essa porcariada toda de bagagem que você construiu durante sua vida como caráter e personalidade)
  2. preceitos morais (outro bagulho entulhado na sua mente, corpo e coração que a sociedade e cultura em que você está inserido enfiou por goela abaixo)
  3. ética (o conjunto de 1 e 2, MAIS a ruminação do que é o mais acertado a se fazer na hora)

E acertado é garantir que o indivíduo citado esteja resguardado de seus direitos de cidadão AND amparado por um Código de Ética Profissional que fucking assegura os direitos dele e os seus de agir conforme uma normativa blá-blá-blá chancelada pelas autoridades e blá-blá-blá.

Essa violação de conduta profissional por não entendermos onde 1 e 2 estão sendo usados ACIMA de 3, já que por teoria 3 deveria ser a prioridade. 3 é a regra geral, 3 por mais falha e nonsense que possa parecer em situações como essas descritas ali em cima (do sujeito fazendo coisa que não deve em lugares que não correspondem aquele tipo de comportamento), prevalece. Por quê?

Porque ter um Código Ético Profissional é um norte de qualquer  dúvida que você tenha sobre sua atuação profissional. Ética, nesse caso, traz a noção de interpretação e reconhecimento que você, como bibliotecário ou estagiário ESTÁ ENQUADRADO a assumir que vai se comprometer a obedecer o que o Código diz. A pessoa em situação de rua fumando crack no banheiro ou outro lugar da biblioteca está ali por uma razão, uma razão que não está sob seu controle ou ter o poder transformador de fazer um milagre.

Esse não é o ponto.
Você não vai salvar a vida do camarada, não é essa a intenção, não é a garantia que o Código dá para você atuar sobre o problema. É como você vai usar esse problema para conscientizar a pessoa que ali, naquela biblioteca, tem opções de uso de seus serviços para ficar informada que o que ela tá fazendo não condiz com a função real de uma biblioteca.

Você tem opções de como fazer isso de forma adequada ou de não.
Chamar a Polícia ou qualquer outro órgão com essência repreensiva não será a solução mais legal do mundo, acredite. Ter o telefone de um albergue de passagem, órgãos de defesa aos direitos de pessoas em risco (CRAS, CREA, SEMAS do seu município) é uma opção ambígua - pois não há garantia se o milagre pro camarada vai acontecer assim lindo e maravilhoso como a gente quer.

A opção que o Código nos dá é respeitar e informar. E apenas isso. Fazer com sensibilidade ou não vai dos preceitos morais e valores pessoais de cada um. Ou não. Posso ser uma babaca há 200 metros fora do meu local de trabalho, mas continuar o meu trabalho eticamente perfeito de acordo com uma legislação que me prediz a fazer isso.

Exemplo pessoal: o meu valor pessoal é questionar até o cansaço qualquer pessoa que vier falar de religião no balcão. Essa é a minha ótica de encarar o assunto religião. Cristão, budista, umbandista, wiccan, maçom, eu vou questionar, está intrínseco a minha pessoa, a curiosidade e a petulância de querer fazer a pessoa pensar duas vezes antes de querer dar lição de moral através do uso do discurso religioso me é tentador, querer saber mais sobre essas opiniões tão diferentes da minha também terrivelmente tentador. Mas essa curiosidade mórbida pode não ser uma boa coisa para o sucesso de atendimento com acesso a informação imparcial e condizer com meu dever como bibliotecári@ ou estagiári@ ali naquele momento.

Meu preceito moral é respeitar qualquer um que professe sua crença no balcão ao querer pesquisar sobre algo nesse assunto. Isso não só está no meu valor pessoal, mas também de visão da religião como o religare, a conexão de pessoas e um sentido plausível e aceitável pra pessoa viver em harmonia com o universo. Mesmo que você acredite que um alien chamado Xenu forçou milhares de almas a serem jogados em um vulcão e essas "almas" foram transmigradas para corpos dos primeiros ancestrais dos homo sapiens¹.

Minha ética profissional é esquecer as duas coisas ali e dar informações pra pessoa sem distinguir sexo, gênero, religião, cor da pele, se ele é fã de gatos ou cachorros ou se ele é capelão militar questionando severamente o porquê haver só 2 bíblias na unidade de informação. A Ética Profissional que eu JUREI ao pegar aquele canudo roxo simbólico de tudo que estudei e prometi em proteger, preservar e tudo mais, isso eu DEVO cumprir. Lembram do Juramento da Profissão?

"Prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de Bibliotecário, fundamentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana"

E serei bem honesta: a 200 metros da biblioteca eu sou e estou na minha visão de mundo dos 2 itens de valores pessoais e preceitos morais. E a minha ética no reinterpretar esses dois itens em outro espaço de convivência é outra. Dentro da biblioteca, essa instituição fluída e subjetiva, não construto cheio de estantes e livros, sou eticamente responsável por um tipo de reação/ação sobre situações como essa. Lá fora, na rua, em minha casa, entre amigos, dançando ula-ula dentro do busão 221 de Canas, a ética muda. A forma de se enxergar a Ética Profissional muda.
Eu encheria o capelão de perguntas ou ficaria em silêncio?
(Militar, com carteirada do Exército, porte intimidador e já largando que não viu Bíblias suficientes na biblioteca? Óbvio que seria silêncio, isso se chama autopreservação, algo que a Ética Profissional não vai conseguir ter condições de me dar instruções sobre o que fazer quando sinto que estou sendo repreendide por algo que está fora do meu alcance)

Diferenciar o público do privado. Estabelecer limites, linhas imaginárias, por mais aproximadas que estejam, traçar fronteiras do quem eu sou e o que estou fazendo.

Aí chega numa parte do artigo sobre Ética na Wikipedia e essa passagem quebra os raio da bicicreta:
A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos.
Será que tou conseguindo ser coerente no que estou escrevendo?

Se a Ética Profissional é a lei maior em uma categoria profissional, por que ainda insistimos a ir primeiro pelos valores pessoais e preceitos morais?

Será que o Código de Ética está mesmo abraçando todo entendimento de Humanidade que devo conservar ao atuar como bibliotecário em situações como essas?

Vou mais além, será que a atuação profissional deve ser pautada em valores pessoais (e a linha tênue entre confundir cada item com outro é tão perigosa, gente) e preceitos morais para DEPOIS haver uma construção coletiva sobre a Ética Profissional do bibliotecário?

Será que a gente risca isso tudo é só obedece o Código de Ética?

Não risca nada e continua a atuar conforme a própria consciência?
(Ou essa noção ilusiva do que é a própria consciência)

Para mais informações, pelamoooooor parem de ser passivones da vida e leiam:
RESOLUÇÃO No 153, DE 06 DE MARÇO DE 1976 - Dispõe sobre o ensino de ética bibliotecária

~Le Legislação Básica de nosso trabalho - Conselho Federal de Biblioteconomia.

~Le juramento da Profissão - RESOLUÇÃO Nº 6, DE 13 DE JULHO DE 1966

RESOLUÇÃO CFB N.º 42 DE 11 DE JANEIRO DE 2002 - Dispõe sobre Código do Ética do Conselho Federal de Biblioteconomia.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

[bibliotequices] ainda não entendi!

7 semestres.
3 anos e meio.
2 crises existenciais.
1 crise de querer mudar de curso.
E até agora não descobri o que fazem os engenheiros da produção, gente.


Ainda não saquei o que eles querem da vida.
Ainda não entendi o que eles acham que tem que se enfiar na Biblioteconomia.

Ainda não compreendi que quando se metem é para fins nada felizes dentro do curso.
Ainda tou ruminando o porquê deles não terem achado algum outro lugar melhor (Sei lá, curso que dá dinheiro e prestígio, sabe?) para se alocarem.

A única coisa que encontrei de informação relevante é que eles são igualmente evitados nas outras engenharias. O que não ajuda em nada na melhoria da percepção desses incautos transeuntes da Biblio.

Botando Moz pra ilustrar, porque a situação pede

quinta-feira, 15 de junho de 2017

[bibliotequices] sobre burnouts


Here I go, here I go...

Mente vazia, oficina da queridona Lady Ansiedade, do meu coração <3
Como mãe de todos os pavores, fico no aguardo pelo próximo momento lindo de dorzinha localizada. Os neurônios estão trabalhando em outras áreas pelo jeito. O legal de ter uma mente hiperativa é que mesmo quando tou lesada pela dor, vai vir coisa, sei lá, alguma coisa, tipo ontem foi ideia rápida e improvisada na apresentação do trabalho, até que deu certo - no susto, mas deu. O ruim de ter mente hiperativa enquanto se está com dor é que não dá pra executar as coisas que quer fazer. 

É um belo círculo vicioso dos Inferos pra enfrentar. E a Ira costuma vir junto.

A dor nas costas anda me fazendo relevar muitas questões na vida de escriba, até o ato de escrever já está se tornando um exercício difícil - a escrita entra como solução paliativa, um band-aid para uma fratura exposta, um "Calma, vai melhorar" - já que não posso ficar muito tempo sob meus quadris. Hips don't lie, o meu pelo jeito deve estar com uma ficha criminal bem extensa ou é fã do Pinóquio.

E aí escrevi um post angst ontem voltando no busão - porque a menininha mágica da Clamp caótica no meu sistema nervoso me lembrou assim que senti aquela fisgadinha delicinha no ciático - mas fui deletando as coisas mais blergh e coloquei piadinhas toscas e humor dos anos 90.

E uma história bem legal que ouvi/presenciei durante o estágio há uns 2 anos atrás.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

[bibliotequices] essa tal representação de categoria

Vamos lá falar de representação de classe/categoria, amorzinhos? 
Vamos, porque em tempos como agora tá precisando.

Taxas de anuidade de registro profissional (sendo cobradas em parcela única) com suas variações:
(Usa o Google e digita taxa anuidade *insira sigla do conselho regional aqui* - faz bem pra sua vida biblioteconomística)

OAB (Advogados e lalala): R$ 963,90
CFM (Médicos): R$ 712,00
CREA (Engenheiros e lalalala): R$ 639,33
CRF (Farmacêuticos): R$ 512,81
CRECI (Corretores de Imóveis): R$ 591,00
CRP (Psicólogos): R$ 479,14
CORECON (Economistas): R$ 464,00
CRB - (Esse é o NOSSO!!): R$ 425,96 
CRA (Administradores): R$ 401,00
COREN (Enfermeiros, Técnicos, Auxiliares e Obstetrizes): Varia entre R$ 173,50 e R$ 300,13

* Até onde eu sei, professor/docente não tem Conselho Regional, pagar o Sindicato é o que vale, é isso produção? 

E eu poderia ficar a noite toda aqui listando as anuidades, maaaas decidi colocar essas pra gente comparar com o que algum dia pagaremos (Do tipo: "nossa como o tempo passa rápido, amanhã me formo, como assim?!"). Percebam que os listados são todos profissionais que a CLT chama de "liberais", gente como a gente. Sabe, os de cunho humanístico e talz? Bem isso.

Aí existe um órgão que cuida dos profissionais liberais (OMG não diga?!), o CNPL que abrange sindicatos, e outras entidades de representação de categoria. A FEBAB não tá, não há Sindicato de Bibliotecários em Santa Catarina, muito menos uma entidade intersindical para dar conta das demandas (Urgentes, btw, tem uma lei pra ser cumprida em menos de 3 anos, sabe?).

Então antes de ficar de mimimi que entidade de base só sabe levar teu dinheiro embora, não faz nada por você e lalala, notícias lindas e super atualizadas: quando você tiver pagando sua anuidade de registro profissional em qualquer lugar que seja, não é pra dar dinheiro pro bolso de alguém, é pra uma galera toda garantir que seus direitos vão ser respeitados - e sim, quiriduns, vocês tem TOOOOODO direito de cobrar esses direitos de quem deveria garantir seus direitos.

Aí tem uns panaquinhas dizendo que tem que acabar com essa de pagar sindicato. 
Ok. 
Vai lá falar com teu chefe que a poeira do acervo no arquivo onde você trabalha fez você contrair uma doença respiratória, pois não te ofereceram nenhum tipo de EPI, nem treinamento. Ou negociar com a chefia a contratação de estagiários, porque você não aguenta mais fazer além e muito mais das 6/8 horas de serviço, porque bem, a biblioteca tem que ficar aberta o dia todo, né? 
Oferta e demanda. 
Tenta então discutir com a prefeitura municipal de sua cidade que receber 2 salários mínimos com condições de trabalho que beiram ao impossível não é uma opção viável para trabalhar com dignidade.

Vai lá, fera! A Força está com você! #SqN

Bibliotecário sofre disso todo fucking dia ou pior, porque não tem ou não sabe querer/ter representação. E não venham dizer que "não gosta de política", amigolhes, cês tão na Biblioteconomia: tudo aqui é política, querendo você ou não.

Por que a gente precisa de representação de classe?
Pra fazer valer as leis que nos garantem dignidade em trabalhar
Por que a gente precisa disso?
Pra ninguém pisar mais na gente como faziam antes e continuam cismando de fazer mesmo com as regulamentações aí afora.
Por que a gente tem que fazer VALER as leis?
Porque ninguém vai fazer isso pela gente e começa nas entidades de base, é lá que vocês precisam atuar e se inteirarem mais das discussões trabalhistas da profissão que escolheram.

(Será por que OAB e CFM como as anuidades mais caras?! Coincidentemente quando esses caras param, o país para junto, né?)

Mais coerência nas ações do que beleza nos discursos, sim?

sexta-feira, 19 de maio de 2017

sem reação


Pela primeira vez na estória de amor com a graduação na Biblioteconomia fiquei sem ação para falar bem do curso. 

Não era falta de empolgação. 
Eu amo esse curso, tanto, mas tanto que protejo o bendito com unhas, dentes e chutes baixos.
Mas não dá. 

Quando alguém pergunta como é o curso pra mim agora, vou falar a minha impressão total sem censura e cortes de classificação indicativa. A tendência não é piorar, é virar outra coisa. E nomenclaturas são um perigo, gente. Porque nomenclaturas categorizam e taxam e inibem e forçam padrões.

Quero ser otimista e pensar que daqui alguns anos haverá um corpo docente unificado e disposto a trazer mais humanidade pra quem sai daqui, mas não creio que vá acontecer tão cedo. 

Por isso tou pulando fora do barco na pós. 
(Se o mundo não acabar antes, se eu não jubilar, se não haver um apocalipse zumbi, se, se, se vários ses...)
Por mais que seja incrível contribuir com a comunidade em que te proveu experiência em uma graduação que era meu sonho concretizado, não suporto mais ver/interagir com certas situações desnecessárias. Pessoas desnecessárias. Picuinhas desnecessárias. 

Produtivismo e pouca humanidade. Isso tá rasgando um corte de lâmina cega na minha paciência e no meu ego (e não mexe com essas duas coisas que virginiane NÃO sabe lidar com essas coisas sem surtar ou cometer algum crime capital). É sem reação que consigo responder alguma coisa para a pessoa que quer retornar ao mundo biblioteconomístico. É sem reação que fico, segurando aquele bolo debaixo do diafragma, pressionando o baço, pronto pra expelir bile amarela e dar a real: se for pra ficar com traseiro sentado no funcionalismo público e não contribuir em nada pra sociedade, vai pra outro curso. 

Aí percebo o quanto meu level de comprometimento com a profissão chegou ao ponto alto, porque essa porra tá me dando uma visão unilateral do todo. Mesmo eu sendo a criatura dos relativismos, dos talvezes, dos "cada história tem 3 lados". E já vi o que acontece com as pessoas que chegam nesse estágio de pensamento unilateral. A gente fucking cansa. 

Sinceramente cansei quando não vi mais aplicabilidade da teoria da aula nos lugares onde estagiei. Atuar no Museu foi o estopim, estar em um ambiente interdisciplinar mostra o quanto não valemos muita coisa, não quando a vontade de querer ser alguém que contribui beneficamente pra área de conhecimento em que quero habitar está deixando claro que pessoas como eu não deveriam estar ali. 

Produtivismo e androides. 
Quem produz mais. 
Quem tem mais estrelinhas. 
Quem é mais citado. 
Quem traz dinheiro pro lugar. 
Quem é a autoridade. 
Quem sobe na cadeia alimentar dos glutões pelo poder frustrado. 

Não sou obrigade a aguentar esse discurso por muito tempo, não quero ficar amarrade em uma pós graduação que me cobra pra ser eficiente com metas institucionais e não enxergar que ali do lado tem uma biblioteca comunitária precisando de alguém para viabilizar cidadania. Não sou obrigade a compactuar com esse ideal mercantilista de validação acadêmica. Não foi pra isso que assinei a papelada de retorno de graduado. Não foi pra isso. 

Espero que a pessoa saiba por fontes mais fofuxas e agradáveis sobre o quanto o curso pode contribuir pra vida das pessoas, qualquer pessoa, espero mesmo, mas tou pedindo pra Dewey, Rangs e Otlet pra não me perguntarem o que acho do curso de Biblioteconomia da universidade que não irei citar o nome por questões de puro sarcasmo intencional. 

A resposta não vai ser bonita. 

E Rangs abençoe pra eu não virar essa veia coroca de coque na cabeça, dedo em riste na frente dos lábios e pedindo "xiiiiiiiiiiu!".

terça-feira, 16 de maio de 2017

[bibliotequices] onde perdemos o diálogo?

Há uma década atrás na universidade dos Stormtroopers eu escrevia emails pra professores sem ter medo de ser informal, porque convivia com essas pessoas todos os dias, nos corredores, na Coordenação, na lanchonete minúscula do campus, e tudo e tal.

Tem um email de 2006 para um docente super bacana em que me explico o porquê de ter entregue o trabalho atrasado, de uma forma totalmente nada a ver, nonsense e nada convencional (Quem me conhece, sabe que quando tou empolgade, vou acabar fazendo alguma coisa que não é determinada pelo acordo tácito padrão, tipo: falar gírias, usar minerês, fazer piada interna, referência ao mundo nerd). A resposta foi na mesma intensidade de nerdice (E sim, deu pra entregar o trabalho, era latim, a vida não era legal com latim naquela época!)

E gif de péssima qualidade sim!! Porque a dancinha é clássica!

Me pergunto onde a gente perde essa sensibilidade e aproximação com quem nos dá aula todos os dias, se é por não conseguir quebrar aquela barreira invisível de um tá cá, outro tá lá, se é protocolo de Universidade Pública não deixar esse diálogo acontecer.

Talvez seja até da própria cultura acadêmica UFXQuiniana de haver uma placa de NÃO para conversar direito com os professores sem se sentir estranho. Ou intimidado. Ou violando algum código super secreto de convivência. Até o docente dizer abertamente que está de boas para dialogar.

Talvez pelo fato da Universidade dos Stormtroopers ser tradicional, particular e uber-conservadora (Olá, tou fazendo referência ao Império Intergaláctico aqui o tempo todo!) o diálogo acontecia por questões de cordialidade e por mais tempo dos professores no campus.

Talvez fosse numa cidadezinha brejeira no findemundéco de Minas Gerais, sem conexão de banda larga ainda. A tecnologia influencia nessas coisas! Vide o email citado ali em cima, totalmente informal, sem firulas acadêmicas. Hoje temos tecnologia na ponta dos dedos, mas sensibilidade e empatia? Muito difícil!

Talvez eu tenha ganhado um pouco de noção (???) e colocado o murinho invisível, é difícil dizer, mas é nítido ver como faz diferença quando o diálogo é aberto e honesto entre discentes e docentes.

Heeeeeeeeeey conversem mais discentes e docentes, ops ops ops!!

Porque aí a gente conhece o camarada, sabe? Entende o que raios ele tá fazendo ali e as motivações dele pra trabalhar, porque hey! Talvez algum dia eu queira também estar naquele ambiente, ensinando outras pessoas. O clima na Universidade - que não citarei o nome por medo de um Lorde Sith brotar do chão e me cauterizar com uma sabre de luz - era mais de parceria acadêmica (Tá, tinha gente que arrancava nosso couro, não vou omitir), até nos piores casos (Tipo aquela mudança linda de currículo em 2006, né?). Tinha picuinha, mas tinha diálogo, não backlash e desavença, silêncio e passividade. E isso fazia uma diferença danada na nossa forma de tratar o curso, de se identificar com o curso, amar o bendito curso.

Isso me chamou atenção, porque a gente passa 4 anos (Ou mais) no mesmo lugar, frequentando a mesma rotina e não sabe absolutamente nada da pessoa que tem a paciência de te dar aula, ou que vai dar aula algum dia.

É tensinho.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

[bibliotequices] estágio para Biblioteconomia no IML

[Disclaimer: era para ter postado esse texto na época em que a vaga saiu, mas a falta de iniciativa vinda de minha pessoa foi alta. Bora lá deixando o verbo e analisando a cadeia hereditária...]

No email, vaga de estágio para Biblioteconomia no IML.

Sim, isso mesmo que você leu. IML, Instituto Médico Legal. 
Onde levam os mortos para serem examinados pela última vez antes de ir pra debaixo da terra - algo desagradável para o meio ambiente, viu humanos tapados? - ou também lugar onde pessoas vivas vão para terem exame de perícia médica de diversos tipos. Agressão física, estupro, coisas assim. E o que raios um estagiário de Biblioteconomia faria num lugar assim?!

Pelo anúncio da vaga é gestão documental e atendimento ao público. 
O que nem é a ponta do iceberg, creio eu. 
Trabalhar em hospital já é difícil, agora em IML é algo que grande parcela da população nem quer saber como funciona. Pequena parte da população, incluindo eu, gostaria muito de saber como é feito esse ritual institucionalizado que tão pouco é reconhecido como importante. 

Depois de ler um artigo de duas pesquisadoras de Psicologia da UFMG que submeteram artigo pra Psicologia em Revista da PUC-MG na época em que tava em Betinopolis - coincidiu com a ida do IML para a dita cidade, que ainda mandava os cadáveres pra Belo Horizonte, arruinando muitas vezes provas de crimes por ser uma viagem demorada e com contratempos (BR parada, falta de transporte adequado, etc) ou a integridade do corpo do morto.

Porque pessoas se importam com o corpo do morto quando morre como se ele fosse ainda vivo. O que é paradoxal, devo admitir. Velar o corpo em cidadezinha do interior era um modo tradicional de integrar a comunidade, morto na mesa da sala da casa, gente em volta, tudo arrumadinho, pra onde ia depois? Não sabia, fui saber só depois de crescer e a curiosidade já alimentada pela esperança vã de querer cursar Medicina aflorou a explorar as tradições dessa fase da Vida.

E não adianta falar que a Morte é algo ruim, ela faz parte do ciclo natural de qualquer coisa nesse universo.

A vaga me fez dar um pulo na cadeira e segurar meu modo pesquisador, qual seria a forma de atuação de um bibliotecário em um local assim? Apenas um documentalista? Apenas um servidor qualquer que não faz diferença alguma no grande esquema das coisas que estão ocorrendo ali? O que a Biblioteconomia contribuiria dentro de um IML?

Já matutei isso algumas vezes, sabe?

Uma das características que mais citam para desempenharem um ótimo trabalho como bibliotecário é a tal da inteligência emocional. Algo como ter aquele sexto sentido pra entender como o Outro se sente, como reage, como se expressa. Se a análise do discurso nos dá margem pra adivinhar essas pistas de interação social através da linguagem, o que se pode fazer para sacar o que uma pessoa precisa em uma unidade de informação antes dela mesmo pedir? A tal da inteligência emocional dá conta disso, dizem. Até agora o que venho pesquisando e compreendendo com prática é de observar bem quem atendo.

O que a inteligência emocional poderia ajudar em um lugar como o IML? Não sei quanto a vocês, mas pergunto sempre que há oportunidade o que as pessoas sentem trabalhando em locais de extrema insalubridade, tipo lixeiro, gari, galera de arquivo esquecido, museu, hospital, assistência social, casa de passagem (aka albergues e não é o estudantil). O feeling é de carga pesada devido a atribuição do local, dependendo de onde for, o local que faz a identidade do trabalhador, não sua própria personalidade, muito doido isso! Locais como esses citados são frequentemente esquecidos pelas instituições onde estão alocados e dificilmente conseguem uma ascensão de privilégios ou financeiro.

Como bibliotecário poderia ajudar em um IML? 
Além da parte mais técnica chatonilda que não manjo bem (gestão de docs, arquivamento de processos, organização e recuperação de informação, etc), creio que atendimento ao público com mais ênfase na situação seria uma boa, grupos comunitários de luto, encontrar meios de comunicar eficientemente o andamento do processo todo para os que sobreviveram, poupar gente de aguentar mais morosidade, porque o serviço público não é nada lindo e ter que sobreviver a um despedida dolorosa sem saber o que fazer já é algo horrível. Fazer ponte com outros departamentos e secretarias como assistência social, conselho tutelar, universidades, laboratórios, terapias alternativas? Muito gestão de pessoas pra vocês? Não vejo por que não.

Sei que vai ser uma barra imensa pra quem aceitar esse estágio - estamos falando de um local onde tem gente que quando passa faz sinal da cruz? - mas torço que consiga fazer um trabalho bacana lá. Vou lá acompanhar o andamento da vaga e ver quem vai pegar essa, não custa nada tentar levar um pouco dos ensinamentos de Rangs pra locais incomuns nesse mundão afora.

Ps: a vaga foi preenchida, agora é ir conversar com o colega que conseguiu sem ser extremamente curiose (Isso espanta as pessoas, às vezes).

sábado, 6 de maio de 2017

[bibliotequices] sobre lasanhas, pastelão de frango e incoerência

Leis são o patamar máximo de "coisas que eu devo obedecer sem pestanejar, porque sempre vai ter um advogado de regras babaca pra contestar e interpretar do jeito dele ou literalmente. Ou vai ter punição.". Seguir a lei é fundamental para garantirmos nossos direitos/deveres, blablablá, manutenção da ordem, do progresso, sustentação de dogmas e doutrinas, aaaaah vocês entenderam!

Aí eu chego na hora de entender currículos de cursos. Ou como supostamente alguém que está cursando o curo chega a uma conclusão sobre o curso. Vou usar alusões à comida, porque é algo que gosto de tagarelar e fazer piadinhas sem ofender ninguém. E quem veste a carapuça é meu chegado \o/

Fonte: Just West of Hell - Heartbreak is a lasagna - interessante.

As Leis tal e tal dos anos tais te dizem que para você virar lasanha, você tem que preencher uns seguintes requisitos, ou modos de preparar. Tem a massa da lasanha, o molho de preferência (tem vários aí no meio, você escolhe, você vai ser a lasanha!), qual forma adequada pra colocar as camadas, qual temperatura do forninho, o tempo a ser assado, quantas porções a servir.

Essa é a Lei falando, tá? Tá lá escrito, em letras bem legíveis e de acesso gratuito pra qualquer pessoa ler. Se vai interpretar da forma certa/errada/o que for, aí outros quinhentos. E como a gente sabe o que acontece com as pessoas que não seguem as leis (viram políticos?!), aí fica mais difícil ainda de dialogar com as nuances.

Aí tem a premissa que toda universidade tem autonomia de montar seus currículos de cursos. 
Beleza, parece plausível, coerente, até bem assim... qual a palavrinha? Liberal, né? Pode pegar a mesma receita de lasanha e fazer um apanhado de diversas formas de se fazer lasanha. Lasanha de forno, de microondas, de forno à lenha, de laser alienígena, de máquina de fótons, por aí vai.
E você quer ser uma lasanha, eu quero ser uma lasanha, porque lasanhas já me provaram socialmente que são importantes para o contexto atual do momento e sempre serão. Lasanha é vida.
(Tem gente que vai achar a pizza mais importante ou até aquele talharim com molho a bolonhesa, mesmo sabendo que existem pessoas que são vegetarianas/veganas que querem ser talharins e são obrigadas a se encaixar nesse enquadramento, mas anyway: LASANHA!)

Aí o currículo do curso de ser lasanha diz um tanto de coisa que não bate com as Leis de como ser uma lasanha lá chancelada pelo Executivo/Legislativo e Judiciário. Tem um Conselho Federal e um Regional de ser uma lasanha acompanhando os desdobramentos dos molhos, das temperaturas, das formas (Essas são importantes, usem as redondas, dá mais espaço para mais coisa), tem associação de ser lasanha também nas parada. Mas a faculdade prefere seguir uma receita totalmente que não é sobre lasanha. É, sei lá... Kalzone. Ou pastelão.

A universidade quer que você que quer ser lasanha, se forme como um pastelão de frango. 
É, de frango. 
E de quebra, se sobrar tempo na carga horária, colocar azeitona no meio, vai ter que rebolar pra ter azeitona na receita. 
Pastelão de frango. Não lasanha.
(Crise de identidade? Não, imagina! porque ser lasanha tá ultrapassado! lasanha é coisa do passado!)

Dolmen na Irlanda.

De mortuis nihil nisi bonum.
Deja vú?
Tá demais.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

[bibliotequices] 5 coisas para fazer estagiári@ feliz

Já que hoje é dia de trabalhador e meu trabalho é ser estagiárie pro resto da graduação que vou acabar jubilando (lol), compilei algumas coisinhas aqui com a experiência que já tive no ofício.

Você, amigolhe bibliotecári@, você já foi estagiári@? Lembra como era essa época absurda entre ter conhecimento teórico e ver a prática de perto e chegar a conclusão que "QUEQUI TÁ CONTESSENU?!", "Que cês tão fazenu?!" "Rangs dos céus acende vela que LIVRO DA CAPA AZUL?1" - é provavél que tenham passado por perrengues assim.


Bem, o feeling continua o mesmo, mas você que tem estagiári@ sabe que pode fazer com que seja menos penoso. 

Cinco coisas para fazer seu estagiário feliz? Urrum, porque eu tenho a impressão que quando eu for como você quando crescer, irei tratar @s querid@s assim.

1 - dialogue com ele sobre a profissão: pontos altos, pontos fortes, as surpresas, os desafios, o que rola de chato, o que é de se esperar, isso ajuda um bocado pra quiança se enturmar.
(aaaaaaand saber se está realmente interessado ou não no estágio - tem gente que só faz pelo dinheiro, vai me dizer que não?) 

2 - socialize com as instâncias superiores da biblioteca. Faça a pessoa saber quem assina cada folha de pagamento e quem dá o aval para o financeiro, quem faz a coisa funcionar . É importante fazer a pessoa entender o que é gestão e como isso funciona, a pessoa não é somente a sua responsabilidade, é também de quem te chefia.

3 - estimule criatividade e idéias inusitadas, por mais bobas que sejam. Estagiári@s estão com outro olhar sob a biblioteca onde atuam, as percepções são novas, as inovações podem ajudar a fazer o trabalho mais otimizado, você como gestor pode avaliar o que pode dar certo e o que não vai. Ps: a linguagem d@s estagiári@s podem estar mais aproximadas do público-alvo da biblioteca (vide @s estagiári@s gamers, YouTubers, músic@s, geek)
Ps: experiência própria - falar a mesma língua do usuário dá mais resultado que questionário de satisfação e enquetes. 

4 - pergunte se a criatura está se alimentando direito: muit@s estagiári@s passam algumas dificuldades com alimentação, ainda mais quando não se recebe vale-alimentação ou ajuda de custo para isso. Tirando o fato del@ passar o maior tempo do dia na unidade de informação, é possível que não possa ou não tenha condições de pagar um almoço decente ou esperar até a noite antes da aula pra comer no RU ou comer em casa antes pra poder não tomar tempo no estágio. Buscar algumas alternativas com estagiári@ é viável nessa hora (hey não precisa pagar meu almoço!) como disponibilizar acesso a copa ou cozinha da instituição (esquentar marmita) seria uma boa.
Ps: estagiári@ com fome não levanta as toneladas de livros didáticos que vocês são obrigados a carregar, foi mal gente. 

5- Comunicação. Não está gostando da contribuição d@ estagiári@ na biblioteca? Converse com a pessoa sobre suas prioridades. Está realmente gostando da ajuda que tem dado?  Fale com a pessoa. Seja honesto sempre, lembre-se que muitos de nós fomos criados para só acatar ordens e não dialogar, comunicação evita tantos maus entendidos e acerta em feedbacks para graduand@ se sentir valorizad@ onde está.

Não se preocupem amigolhes, bibliotecári@s terão também uma listinha em breve!!

sexta-feira, 31 de março de 2017

[bibliotequices] faz sentido

Tem coisas na minha vida de escriba que normalmente não fazem sentido. Tipo minha vida amorosa, a vida familiar, a vida privada que o Nelson Rodrigues fazia comédia (referência nenê?), mas estar novamente atuando em biblioteca faz total sentido.

Há uma premissa que gosto de repetir pra mim mesme: "Quanto mais insano, mais normal fica" que acaba se encaixando bem em tudo relacionado na vida de bibliotequere. A vida faz sentido aqui entre as estantes. O exercer o meu existir faz sentido aqui no balcão.

Pode parecer besteira, ver alguém enaltecendo a própria profissão como algo divino, não é, não deve ser e pelamoooooor não seja. Eu amo a Biblioteconomia utópica dentro do meu plano de ideias que entendo, compreendo e compartilho, mas tem muita coisa pra se melhorar.

Aconteceu alguns fatos nesses dias em que estou estagiando que me fizeram reavaliar muito o que me leva a ser tão apaixonade pela profissão - e aí vamos na batalha de emoção versus razão? Com esse assunto em específico, eu perco a compostura e me entrego de corpo, alma e coração. Pode levar toda minha integridade física e mental que aceito!

O motivo para tanto furor é a forma como certas cousas estão se encaixando, desde o momento do compreender o que raios faço aqui, como vou fazer, pra que/quem é porque fazer. Isso está se concretizando.

Faz sentido passar aperto no estágio por conta de situações que não dá como controlar, que se necessita de uma ética pautada até em algo superior a ciência e o academicismo pra compreender, analisar, simpatizar e resolver. Que há aulas que foram assistidas pra sr lembrar na hora do aperto e dizer "véi de Bowie, obrigade pessoa que me deu aula por existir, por ter uma consciência incrível, por estar na minha vida" - esse feeling, aliado com um pequeno papo de banheiro com velhinha simpática que exclamou "esse banheiro é feminino" em um tom escandalizado e excludente para evoluir em um diálogo de respeito e alteridade. É o puxar papo com docente decente sobre um relampejo de ideia para algo a ser produzido no futuro.

Essas pequenas coisas. 

Elas me fazem sentir vive e útil e bem comigo mesme, as pequenas vitórias. O bilhetinho para BFF com zoação, a preparação de algo improvisado que dá certo, é eficaz, as pessoas são beneficiadas. Esse feeling? Sabe esse, de fazer o coração gelado pulsar na garganta, os pulmões absorverem mais oxigênio, deixar a mente anuviada com as inúmeras possibilidades se amanhã ocorrer mais surpresas e coisinhas a se resolver com a teoria vista em sala de aula?


Eu troco todo tipo de coisa que já senti nesse mundo por esse feeling sendo habitual.

Não é take it for granted, mas é que quando se encontra a quest da sua vida, não é pra deixar ela escapar pelas mãos quando se apresenta. Ser bibliotecárie me traz muita alegria e momentos memoráveis também. Tem coisa ruim, mas entra aí nas alegrias e talz, a gente não vive suficientemente para entender o quanto pode ser feliz com pouca coisa nesse mundo, o fazer por onde está sendo constante, tá fazendo sentido.

Por mais que tenha umas criaturinhas tumulares que gostem de arranhar a superfície do quadro pra causar aquele som horrendo, elas não ganham dessa sensação. Queria que fosse permanente, tou apostando minhas fichas para manter o feeling por mais tempo.

Teve dois cliques nesses dias, um mandou o vitimismo pro fundo do poço (Sorry Samy) por saber que posso ser forte, bem mais forte que qualquer um quando preciso me posicionar como ser vivente. O outro clique foi compreender que ter um olhar mais crítico de uma situação potencialmente perigosa/vexatória pode salvar pessoas de desconfortos, inclusive o meu. E o meu desconto com o mundo se resume a um demonho bem bem beeeeeem específico: leio o mundo como se não fosse o bastante.

O mundo não é criado para ser o bastante, eu devo estar perdendo algo disso, sentir culpa faz parte (sim, eu sei, absurdo!), consertar a minha bagunça é inevitável.
E isso vai pra tudo. 

Isso também arruinou muitas oportunidades de ser feliz plenamente, mas verificar que a culpa não vai me levar a lugar algum continua sendo uma barreira a se quebrar todos os dias.


Não quando esse feeling de ser fucking awesoooooome e útil na biblioteca vem. Ele preenche tudo, transforma toda energia pesada carregada, mantém o controle e a serenidade. Pra se chegar a um level de entendimento comigo mesme foi torturante, agora o se autoflagelar não parece fazer mais sentido.

Essa é a plenitude que quero pro resto da vida. É nisso que irei focar de aqui por diante. As pequenas coisinhas, elas fazem diferença.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

bruxometria

Sonhos estranhos com detalhes de ontem:
Zé Bunito (pseudo siamês que tenho) se perde em uma fazenda meio assim estilo Tim Burton, extremamente sombria e de curvas em lugares nada a ver, mas de um colorido de machucar a retina.

Ele bebeu água de um riacho que o transformou em dezenas de versões dele mesmo, só que pequeninho e em cores mais escandalosas ainda. Lá vou eu caçar todos os Walteres (esse é o nome oficial do gato, mas ele só atende com Zé) e derrotar os contratempos que a fazenda tem pra me fazer perder eles de vista.

Numa dessas de ajuntar a gataiada arco íris perto de um celeiro (Ou era moinho? Dava pra fazer piada com Dom Quixote de boas) uma nuvem roxa carregada de raios e soando trovões chega, estaciona ali e já sei que é treta na certa. Peço pra gataiada se esconder no celeiro e ficarem quietinhos pra despistar seja lá o que vem na nuvem.

Desce uma senhora em vestimentas mais que espalhafatosas a la feiticeira do Castelo Rátimbum, pega um dos Walteres antes dele se esconder e está pronta pra abrir a boca para devorar o coitado.

Eu, babaca no meu modo, grito:
"Cê vai cumê meus gato non, tia! Pego meu breguete, taco na tua coisa, e te penabundeio!" - Sim, essa é uma das frases mais emblematicas que consegui dizer em sonho.

A tia devoradora bota o mini Walter no chão, cruza os bracinhos na frente só busto avantajado e responde:
"Tá achando que minha cara é o quê?! Eu faço contagem de gatos em periódicos!! Nem quero saber de conteúdo de qualidade ou relevância científica do tema, faço bruxometria."

Rio tanto, mas tanto que o sonho se interrompe comigo acordando gargalhando na cama com essa de bruxometria.

Juro pra vocês que não comi nada estranho, não usei dorgas e estava devidamente hidratada na hora de dormir.

Bruxometria, é esses trem biblioteconômico me perturbando até nessas horas. Ah! Zé Bunito está bem, no último sono ali na sala,nenhum spell louco ou damage.

Voltando a estagiar com Morfeu, com licença.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

[bibliotequices] vida de estágio

As condições financeiras costumeiras são sempre na beirada da falência e pedir arrego, nada de novo aqui, mas esse post queria compartilhar com vocês faz uns 3 anos. Como eu decidi sobreviver só de estágio.

As perspectivas para uma nova graduação ampliaram minha expectativas quanto a vivência na carreira que escolhi e as pendengas eternas de nunca ter dinheiro pra nada. Porque na verdade quase minha vida toda foi sem dinheiro pra coisa alguma, contando moedinha pra comprar as coisas que precisava e pagando contas.

Só que no Mario a gente consegue mais moedas que o costumeiro aqui na vida real.
Debaixo do link, vivências em estágio e algumas dicas. Essa postagem será editada em breve com mais coisa, tem muito assunto pra esse tópico!

sábado, 10 de dezembro de 2016

[bibliotequices] o tal do parnasianismo acadêmico


[Esse é o começo de um ensaio maior sobre o tema. Nos próximos capítulos da novela mexicana acadêmica, irei voltar com mais argumentos]
A expressão me veio em alguma hora estranha da madrugada, entre o escrever algum parágrafo de trabalho que não levaria a lugar algum, e o deliberar wtf ainda estou fazendo na Biblioteconomia da UFSC.

Ainda na crise de identidade com a Museologia, vou seguindo.

Lembro em que na Literatura Brasileira, com um professor uber crítico a la Mick Jagger, havia esse clima de anarquia no olhar científico do nosso objeto de estudo (a própria literatura), os sonetos de Camões foram destroçados, o hino nacional desconstruído e não sobrou muitos tijolos de fundamento na literatura nacional do período colonial para o final do século 19.

Realmente era uma aula de ouro, ainda bem que estava lá absorvendo cada lição.

O romantismo brasileiro me deixou com vontade de chutar os escritores fracassados, entre um autor e outro, o que mais me fez querer pegar uma máquina do tempo e chutar um traseirinho foi a galera do Parnasianismo. Eles sim mereciam ser esquecidos nesse Hall de "estilos de época".

Até Simbolismo eu suporto. Realismo-naturalismo também (menos Machadão. TUDO menos Machadão), aí as figurinhas carimbadas do "Arte pela Arte" que me chamaram atenção por um detalhe: a vida imita a Arte.

Hoje, inserida na Biblioteconomia vejo alguns padrões. E é uma pena que seja dessa forma.
O Parnasianismo se constituía como o novo Classicismo, aquele quê que os artistas perderam lá na Antiguidade, o apelo ao belo, simétrico, puro, limpo, esteticamente impecável com suas firulas de linguagem. A pouca audácia do poeta/eu-lírico fazer algo realmente edificante. Falar por falar.

É aí transpondo para o mundo acadêmico, parnasianistas everywhere.

Princess Kylie Aussie Sauce demonstra como funciona o papinho de parnasianista acadêmico
Começa com as coisas que lemos desde a primeira fase e vai evoluindo para uma cultura já enraizada na cientificidade acadêmica: pra ser alguém que presta, tem que publicar em uma Revista A1. Ou morra no ostracismo, ou fazendo palestra de Biblioteconomia Social (termo que igualmente desprezo pela sua implicação de que tem uma Biblioteconomia que NÃO SEJA social, uai modafóca?!). 

Produzir é algo sagrado e ali fica, ali se mantém, não se expande em nenhum momento e não atinge a sociedade em sua essência. Exemplos? Here we go:

1) você passa 4 anos em uma graduação para produzir trabalhos acadêmicos e um projeto de TCC, uma monografia e também um artigo para ser defendido para poucos verem e não haver aplicabilidade alguma. 
2) descarte e esquecimento dessas produções acadêmicas em algum lugar entre Repositório Institucional ou na gaveta da mesinha (os meus vão pro fogo quando termino o semestre)
3) a falsa impressão de que ao fazer isso, está efetivamente colaborando com a Ciência. Mas se é Teoria por teoria, então pra quê aplicar?

Essa guilhotina academifóbica produz pessoas muito muito estranhas e infelizmente altamente relevantes no nosso campo de trabalho e... Tchanananan docentes. 

O Parnasianismo acadêmico se acentua de uma forma bem sutil, esculpindo um ideal tão absurdo na cabeça dos graduandos de que só se pode crescer como profissional se não obedecer certas regras de convívio passivo em comunhão com a cumplicidade de produtividade nonstop

Biblioteconomia e a Graduação é algo além disso, gente.
Vamos ser mais conscientes de nosso papel nessa bagaça.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

[bibliotequices] sobre linguagem e desconstrução

[originalmente postado no Facebook e Medium

Uma das coisas que me levaram a cogitar voltar a uma graduação (sofrer mais 4 anos, isso é algo que ainda tou entendendo aqui na minha cabeça, ninguém é tão louco de querer ficar preso no sistema acadêmico por muito tempo) era sobre como a Letras me abrira os olhos pra uma coisa bem legal e simples: o poder da linguagem.

Esse pequeno detalhinho na nossa vida é literalmente a arma mais letal e também revolucionária que carregamos individualmente desde que nascemos. A forma como construímos essa linguagem e como expressamos para o mundo afora faz toda a diferença entre o que somos, o que parecemos e onde somos classificados.

Na PUC aprendi que forma padrão e informal da linguagem devem estar sempre em questionamento, assim como os discursos que são propagados por essas formas de linguagem "aceitas" na sociedade. Em miúdos: nem tudo que reluz é ouro. A academia mostra bem isso com seus floreios e firulas.
Me deixa extremamente incomodada que na Biblioteconomia não se toque na parte da Filosofia da Linguagem em algum ponto do curso - ou mesmo ter gente botando isso com mais frequência na roda científica - porque é uma parte essencial de COMO nós bibliotecários nos constituímos como profissionais.

(Véi, de Bowie: cê mexe com informação, ponto final.)

Aí duas conversas apareceram hoje sobre quase o mesmo ponto crucial que eu tava enchendo o saco do Parnasianismo Acadêmico, uma era sobre a desconstrução da linguagem (e de todo resto que vem com esse movimento) do Deleuze e a outra conversa era sobre a banalização do discurso médico nas patologias de doenças mentais.

(Olha só que legal, gente, gente não-binárie não tem número de classificação na CDD e CDU, nem mesmo lá na parte de doenças mentais - isso me alivia de uma forma nada confortável)

Essas 2 premissas aí me levam de novo ao papel do bibliotecário numa sociedade em que estamos inseridos. A gente não discute sobre linguagem no curso de Biblioteconomia, sequer faz ponte com as áreas onde estão essas teorias (Letras/Linguística, Sociologia, Filosofia) e aí vem sabichão querendo dizer que o futuro da profissão está nos números, nas estatísticas, na produção científica (estrelinha, estrelinha, na Scopus é só minha) e nas inovações da mercadologia (mercado de trabalho com ideologia? Alguém?).

Sabichões (aaaaah vocês sabem quem são), cês podem até estar parcialmente certos, faz parte, mas cadê o discernimento para entender (E provocar) que se a matéria-prima do seu trabalho é informação (seja lá como ela vier), por que não se preocupar em estudar pelo menos um pouco sobre a linguagem ali contida? E não tou falando de programação, e essas coisas de computadores! Até onde estou atenta, não ocorreu a Revolução das Máquinas e não estamos conectados na Matrix (Mas é algo questionável...), não estou fazendo meu trabalho pra satisfazer máquinas ou títulos acadêmicos, ou deixar departamentos bem na fita ou dar visibilidade pra status de universidade: tou aqui pra mexer com gente. E creio que a Biblioteconomia lá fora já esteja com isso se encaminhando bem.

E gente usa a linguagem desde que se entende como gente. Por que não estudar então? Toda oportunidade que tenho, falo com os amigos de curso para saírem um pouco da bolha/redoma e irem para o CCE passear pelas salas da Letras. ou até mesmo ali na nossa colega Pedagogia no CED. Não é porque eles lidam com Educação que eles são a coisa mais linda dos céus de Ranganathan: é porque eles têm uma coisa que a gente não conseguiu incorporar ainda no nosso curriculo - eles mexem com gente. Tá bem marcadinho, quase entranhado em cada disciplina que bato o olho quando vejo o curriculo.

(E não tou falando de disciplina de "Produção de Texto Acadêmico", tou falando de entender wtf se constitui a língua portuguesa, porque usamos gramática, fazemos dicionários, como se estrutura a nossa fala e como podemos usar isso em favor de nossa profissão - se a galera do Direito faz com maestria, por que a gente não?!)

Aí uma coisa me veio como uma bigorna de desenho animado: a nossa história profissional caminha muito no sentido de EVITAR mexer com gente, desde os primórdios, com aquela de guardar livros a 7 chaves, botar tranca em encadernação, bola e corrente em compêndio, atirar em barquinho de fulano se ele não entregar o manuscrito em pergaminho, o "xiiiiiiiiu!", a leitura silenciosa, o clima inviolável do sagrado das estantes, o classificar por organização de acervo não de recuperar informações rápidas, o mais do mesmo nas produções científicas, a falta de incentivo para inovar com releituras de realidades, o não se aproximar do nosso público (leitor/usuário/consulente/interagente/lalalala e esses termos vão se multiplicar sem ter uma ponte entre a Filosofia da Linguagem/Linguística e a Biblioteconomia).

Então, talvez, o que eu esteja querendo fazer não é Biblioteconomia, mas alguma outra coisa aí. Talvez o provocar sobre falar mais da linguagem e como é o poder nela na nossa sociedade não seja algo pra um curso/profissão que ainda não se atentou que desconstruir o status quo (Ou romper com paradigmas, escolhe aí um termo! Tem vários!) é algo natural e deve ser incentivado em nossas bibliotecas, nossas escolas, nossas salas de aulas, nossas conversas com amigos de profissão. Se a gente não questiona a nossa matéria-prima de produção, cumé que quer formar gente apta para abrir esse diálogo lá na frente?

Como é que vamos lidar com a "Ciência pela Ciência" se metade dos TCCs de um repositório de universidade só enaltece a forma como "fazer produtividade", mas não "fazer algo para a sociedade"? Nem sempre produtividade é algo legal pra sociedade tá garotada, vide a bagunça da Revolução Industrial, acho que já deveríamos ter aprendido a lição. Bicar com a linguagem é extremamente necessária no nosso curriculo atual, pra dar uma ideia pros colegas graduandos que mexer com gente é importante sim e mais ainda, só se consegue fazer isso com sucesso quando se tem noção básica de como mexer com a linguagem.

Mas por quêêêêê ficar falando isso aqui no Facebook? Por quê? Desperdício de tempo e escrita! Bem, algum babaca tem que começar a questionar, né?
(Se aparecer um Agente Smith aqui daqui a pouco, já sabem: a babaca fui eu.)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

[bibliotequices] higieniza mi amor higieniza


Vassoura = estudantes / Mickey = Universidade
[os gifs postados tem a ver com a temática da postagem: Aprendiz de Feiticeiro foi a minha primeira experiência entre manipulação e transformação a força do Equilíbrio natural do universo. Se Mickey Mouse era um ratinho legal para mim, naquele momento em que ele deu "vida" a uma vassoura foi a porrada no sonho infantil de usar magia para beneficiar o mundo. O que isso tem a ver com a Biblioteconomia? Oras! Informação é poder!]

Observando alguns momentos de crise cáusticos e movimentação nula ou quase silenciosa ninja nas imediações biblioteconomísticas, percebe-se uma coisinha muito muito violenta e sutil: quando o silêncio se instala em uma área das ciências, ela automaticamente higieniza seus semelhantes.

Higienizar é algo positivo quando você faz no seu banheiro ou na cozinha antes de cozinhar alimentos, limpeza é bom quando precisa botar ordem em algo que está atraindo coisinhas ruins tipo germes e moscas e insetos indesejáveis, mas quando se olha por um ponto de vista afastado do circo diário acadêmico: higienização na Biblioteconomia tá acontecendo.

Aliás, vem sempre ocorrendo, pois não temos tantas referências da "sujeira" por assim dizer. Nossa profissão já nasceu com glamour de status de elite, com bibliotecários da Casa Real fugida aqui pro Brasil, entulhando seus badulaques e livros roubados da Corte Portuguesa ali onde seria conhecida como Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Intocáveis em seus uniformes quase militaristas de requinte e pomposidade. Longe do populacho, apenas atendendo a família Real, os de título mais abastados, os letrados. Os poucos.

Temos os exemplos do que é limpo, claríssimo (Sim, vou usar essa palavra por um motivo bem bem alarmante dentro do curso), cientificamente desinfetado com muita técnica, legislação e burocracia. Tudo pode ser revertido a este estado tão límpido de aceitabilidade que o que se dá para perceber aqui de fora da bolha:

  • relações abusivas de dominação e submissão (emocional, hierárquica, acadêmica, sistêmica, etc);
  • apagamento de sujeitos que se tornam um mero rascunho dentro da Academia;
  • uma alteração no status quo que NÃO CONDIZ com a realidade aqui fora.

É para ser mais direte? Okay, vamos lá então.

Vassoura = estudantes / balde de água = discurso acadêmico

Comecemos com perguntas, tudo na vida sempre começa com a dúvida:

1) quantos professores negros você vê dando aulas na Biblioteconomia?
2) quantos estudantes negros estão ingressando ou se formando na Biblioteconomia?
3) quanto a voz da comunidade LGBT está sendo ouvida na Biblioteconomia?
4) há discussões sobre gênero, racismo, evasão de grupos em vulnerabilidade social na Biblioteconomia?
5) quantos de nós estamos enquadrados em algum tipo de perturbação psicológica que afeta diretamente nossos estudos, nossa visão do todo, nossa atuação?
6) estamos REALMENTE representando esses grupos ali descritos com o devido respeito e igualdade?
7) a gente se importa?

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